Dias Dias Dias – #Opinião

Foto: Tales Lima

Foto: Tales Lima

Rabiscando no céu como os raios de Iansã. Cortando, “desbicando” uma atrás das outras entre flores e estrelas com diversos formatos e cores. São tristezas acesas por dentro do sol com nuvens. Uma galileia de cometas entre as estralas as quais são levemente empinadas acima das casinhas que contornam essas vilas, jardins e favelas por mundo a fora. Contagiando os curumins e eufonizando as manas e manos, cujo de forma mística ocupam aquele espacinho ali, em cima das lajes, nas ruas junto com os carros e motos. Demiurgos talvez, de almas que encantam as vielas e ruas . Quase que uma ciência teórica, preparam a pipa com a rabiola, a linha talvez com cerol, o papel ou o plástico de mercado junto das varetas. E dão vida e cores ao céu. Esses simples materiais fazem a diversão das férias e finais de semana dos curumins e dos mais velhos também. Os dedos sangrando de esforço, para que seja recompensado ao ver uma raia avoada. Não existe felicidade maior ao cortar as pipas no céu. Corre, corre danado pois todos estão atentos olhando para os lados e ver quem chega primeiro por lá, pois a pipa cai em forma de dança hibrida indo para todos lados, sem direção exata e o vento desvia tuas direções, quiçá pode cair numa casa com um cachorro brabo, talvez no meio da mata e até mesmo na linha do trem, todavia para essa “rapeize” não tem lugar distante para buscar uma pipa avoada.

Apesar de ser um divertimento, como o futebol no campinho de várzea, as dancinhas frenéticas e os diversos “piques” existentes, o tumulto sempre é grande. Escutamos gritos de todos os lados.  Os grupinhos na laje de uma localidade, querem cortar pipas de áreas rivais. Essa rivalidade saudável é o arcabouço para as disputas mais calorosas no céu lotado de pipas. A meninada gosta dessa aventura no céu. Essa veracidade tem uma linguagem de percepção bastante apurada e a priori traz consigo uma sensibilidade humana, subjaz como nos poemas concertistas de Décio Pignatari no qual emanam lampejos de sensibilidade e “desformalização”. A linguagem orgânica dos passos e laços das mãos, “desbicando” no céu o desejo de voar.

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