Nós vai te dar voz!

Qual foi? Vai ficar de preconceito com o moleque? Essas foram as duas perguntas que fiz ao estudante de uma universidade da Zona Sul. Essas duas perguntas mudaram o tema dessa coluna que, mais uma vez, seria sobre a infinita criatividade das comunidades cariocas. Hoje não. Hoje o papo vai ser sério, ou melhor, vai ser reto.

Precisamos falar de uma modalidade de segregação das mais cruéis que, para variar, mora no asfalto. Pouco percebido, o preconceito linguístico é muito empregado na atualidade e pode ser um importante motor da exclusão social. Parece loucura, mas tem gente que diferencia um ser humano do outro pela simples falta de uma concordância verbal ou nominal. “As coisa tá muito errada mesmo!”

Se você acha que erro de português é coisa de pobre, é em você que está a ignorância. A língua só possui uma função: servir e facilitar a nossa comunicação. Então, não dá nem para tachar como errado aquilo que você entendeu, mas fez cara feia. Além disso, presta atenção, ninguém entende mais de plural e de coletivo do que o favelado. “Geral”, “bonde”, “tropa”, “rolé”, uma multiplicidade de termos que mostra onde realmente mora a riqueza. Então, dobra sua língua antes de criticar quem mantém nosso idioma vivo.

O preconceito linguístico é uma agressão àquilo pelo que nós lutamos diariamente: a liberdade de expressão e a busca por representatividade. Praticar esse tipo de discriminação é retirar o direito de fala de milhões de pessoas que se exprimem com um “framengo” ou um “nós vai”. E isso, não dá para tolerar porque buscamos justamente o oposto, buscamos dar voz.

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