OPINIÃO | Eleições 2018: Nem tudo está perdido

No primeiro turno das eleições  (28), foi um dia atípico. Milhões de brasileiros saíram de suas casa para exercerem um dos deveres enquanto cidadãos de um país democrático, escolher, através do voto, nossos representantes para os próximos anos.

À noite, durante as exibições das apurações eleitorais, a tensão fazia parte de um bom público brasileiro. Havia uma  preocupação com a disputa presidencial e outros cargos que estavam em jogo.

Segundo informações divulgadas pelo Exame, sete mulheres foram eleitas no Senado e representam 13% da casa. Na Câmara, foram eleitas 77 deputadas federais e, nas assembleias legislativas, 161 deputadas estaduais. Os números são poucos, se comparados aos homens, mas elas estão avançando na conquista pela igualdade de gênero.

Foto: Tânia Rêgo

Foto: Tânia Rêgo

A sociedade carioca tem motivos para comemorar. No Rio de Janeiro, quatro mulheres negras foram eleitas deputadas no primeiro turno. Um marco  na política nacional. Essas mulheres foram denominadas de “sementes da Marielle”, pois todas elas têm algo em comum: a amizade e a luta por direitos ao lado da vereadora assassinada Marielle Franco, em março deste ano.

Renata Souza, Dani Monteiro e Mônica Francisco ocuparão três cadeiras na Alerj, como deputadas estaduais; já a Taliria Petrone foi eleita deputada federal. Para algumas pessoas essa vitória pode parecer pequena, mas só posso dizer uma coisa: são poucas, mas são nossas. Digo  nossas porque me sinto representada, por diversos motivos.

A voz da mulher, em especial da mulher negra, sempre foi, e ainda é, silenciada de alguma forma, sendo reflexo de uma sociedade racista, machista e elitista. Os lugares de destaque e poder, precisam ser ocupados e graças a luta diária de milhares de mulheres, como a Marielle Franco, esse estereótipo está sendo desfeito.

Tê-las como representantes significa que  mulheres, os negros, os defensores dos direitos humanos, ou seja, as ditas minorias, estão se fortalecendo cada vez mais. A batalha sempre será árdua, mas através do diálogo, do trabalho em conjunto, do exercício da escuta e resistência  essas desigualdades tendem a diminuir e, só assim, o Brasil prosperar enquanto sociedade. Resistimos!

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