E se a vida na terra tivesse mesmo acabado?

Disseram que o mundo ia acabar essa semana. É que tinha um cientista russo dizendo que um asteróide tava a caminho, que a NASA confirmou esse papo mas na verdade o tal objeto, que possivelmente é um cometa sem cauda, ia passar relativamente longe daqui.

Sendo verdade ou não, só sei que essa informação me caiu como uma bomba.

De repente me pego pensando sobre quantos abraços não dei, quantos sorrisos não sorri e quantos “sim” eu nem sequer tentei porque o “não” já era certo. Pra piorar a situação, me pego aconselhando uma pessoa sobre “pra morrer basta estar vivo” – real mesmo.  Fico me perguntando se amei do tamanho que eu merecia amar, se retribuí tudo de bom que a vida me deu, se me permiti ser realmente feliz… Será que a jornada valeu a pena?

Só sei que o cometa tá lá, vagando sozinho pelo universo. Vai passar triscando nosso planetinha e vai nos invejar profundamente enquanto estamos com a família em casa vendo filme, com os amigos no boteco escutando Amado Batista, com os colegas no trabalho desenvolvendo coisas que podem melhorar o mundo…

O tal cometa sem cauda não tá sozinho nessa bad trip intergalática. Cada dia tem mais gente aí no pique asteróide fazendo vôo solo. De uma certa forma todos nós estamos, né, afinal só a gente sabe das nossas próprias solidões.

Mas tudo bem, vem aí o carnaval: a melhor época do ano pra se sentir sozinho na multidão. A melhor época do ano pra encontrar um grande amor que morre na quarta de cinzas, pra ser mais exato ao meio-dia. Amor com hora marcada.

Bom mesmo é viver um amor infinito, né. Um tão grande que vale a viagem entre as estrelas. Que vale o abraço, o sorriso e até o risco de ganhar um “sim”.

Até porque o “não” a gente já tem mesmo.

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