Somos todos comunicadores

Quem são os comunicadores das guerras urbanas pelo Rio?

A violência aterroriza não só os moradores de comunidades, mas sim comerciantes, servidores e visitantes, que não vem nos pontos turísticos do Alemão há algum tempo. Em época de guerra, escolas, comércios, lojas se fecham, com medo da famosa “bala perdida”. Até mesmo as empresas de ônibus deixam de circular pelas localidades de confrontos, evitando terem seus passageiros e veículos atingidos. Em questões de minutos as redes sociais se enchem de mensagens dos locais de confrontos. Fotos, vídeos, textos simplistas mas com um forte teor de sofrimento dos milhares de comunicadores das favelas do Rio, vão ganhando espaços com veículos de comunicações antes importantes para a sociedade. Hoje, somos todos comunicadores. Pelo simples fato de noticiar o que ocorre em uma região, alertando os demais seguidores, já é o bastante para a comunicação. Hoje, essa é uma das maiores armas dos moradores para driblar toda essa violência. “Tiros na região X, cuidado…” “Trânsito parado por conta dos tiroteios na localidade Y…” e por ai vai. São esses os comunicadores que sobrevivem em meio a toda essa violência, trocando informações de como andam a região onde moram, com seus próprios vizinhos, amigos, familiares. Fazendo do bom uso do poder da internet, comunicadores sem diploma, mas com certificado de sobrevivência. Quem perde com isso? Aquela criança que não foi para aula, por que o lugar onde mora estava sob forte tiroteio. Um dia a menos em seus estudos. Quem perde é aquela dona de casa, que não pode ir ao mercado fazer as compras do mês, por que o mesmo teve que ser fechado as pressas por conta da guerra incensante na área. Todos perdem, nesta guerra não há vencedores. Somos todos comunicadores como somos todos perdedores. Sobreviventes, tentando espalhar para o mundo a realidade em que vivemos.

Compartilhando a noticia local, por eles mesmo. O famoso Nós Por Nós. E aquele pai!? Que foi alertado pelas redes dos comunicadores sobre a violência local, com o perigo bem perto de onde mora, que mesmo em forte ambiente de guerra, sem medo, atravessa o perigo para chegar em casa e abraçar seus filhos. Mesmo que pelo caminho ele tenha visto horrores, nada mais importa do que olhar para sua família, na esperança de terem dias melhores, e dizer “Amo vocês…” Pra você, quem perde com tudo isso?

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