Território é relativo

Kajaman. Toda vez que penso em território e pertencimento, penso no Kajá. Entre nossos muitos almoços, a questão do pertencimento ao território é minha temática favorita, já que ele sempre chega com novas histórias dos lugares por onde passa. O privilégio de almoçar com o Kajaman é pra poucos, já que sua agenda é bem apertada. Fico ansioso para chegar a época do Meeting Of Favela, quando invariavelmente passamos mais tempo juntos e ele me presenteia com aquele montão de vivências.

O maior aprendizado que um verdadeiro “cidadão do mundo” pode compartilhar tem a ver justamente com seu pertencimento. Houve um momento em que a Vila Operária e Duque de Caxias ficaram pequenos pra ele, que tinha sede de mais desafios e de circular sua arte. Kajá começou a pintar pelo Rio. Outros estados. Virou um verdadeiro amante da Bahia, inclusive. E conquistou a América Latina. Seu rolé por tantos lugares influenciou sua obra, que carrega as cores dos povos que visitou.

Ele nunca deixou de ser da Baixada.

Mas entendeu que o mundo é o quintal da sua casa e que as paredes mereciam receber a sua arte. Ah, pois é, falei que ele é grafiteiro? Ele expressa visualmente tudo aquilo que ele vive. Quando você consegue a oportunidade de trocar ideia com ele a respeito disso, ganha um bilhete para novas possibilidades.

Eu amo a Baixada. Minha terra.

Mas isso não pode me impedir de conhecer o universo ao redor dela. Eu entendo, hoje, que é necessário circular o entorno da minha área pra trazer pra ela o que aprendi de melhor. Desde o rolé de 457 no Méier com o Coé até umas voltas por São Gonçalo com o Romário Régis, preciso absorver “o crime e o creme” pra dividir com os meus.

Kajá sempre volta na Vila Operária. Faz questão de discotecar no Baile do MOF de sexta pra mostrar pros seus antigos vizinhos o que ele andou escutando ao longo do ano. Faz questão de recepcionar os artistas que chegam de toda a América Latina, inspirados pela sua caminhada. O mundo é o quintal dele. A Vila Operária é sua casa.

E essa casa tem ficado mais colorida a cada ano.

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