Complexo do Alemão

Meu samba, minha alegria

Por Thamyra Thamara (thamyrathamara@vozdascomunidades.com.br) - 27/02/2012 - 15:14

Matheus Beckford, morador do Complexo do Alemão, conta que desde pequeno gostava de sambar “Eu comecei na Imperatriz indo nas aulas para as crianças, fui chamando os meus amigos e aos poucos a sala estava lotada. A maiora saiu e só eu fiquei para passista”, relembra Matheus. Matheus chegou a fazer teste para passista mas não conseguiu. “No primeiro ano que eu fiz teste eu não passei, mas pelo meu ponto de vista eu era melhor. Mas no ano seguinte eu consegui entrar na ala de passista e desfilo desde 2001 na escola”, conta.

Atualmente Matheus trabalha na KS Tricote Tecelagem, e não quis revelar sua idade. “Faz parte do meu charme”, explica. Matheus não largou sua paixão pelo samba, continua sambando e nesse ano desfilou na escola Imperatriz. “Quando eu sambo é como se eu tivesse desabafando. Consigo jogar fora o stress de todo o dia. Eu me desligo de tudo e fico no foco, é a hora que eu sou mais feliz”, emociona-se.
Apesar de dizer que tem como ganhar dinheiro sambando Matheus revela que não ver o samba como um trabalho, para ele o samba é um momento de lazer e alegria total.

Quando perguntado em quem se espelhou, Matheus conta que foi em Celynho Show. “Quando eu era da ala mirim eu sempre via ele sambando. Até que um dia ele chegou perto de mim e falou que quando ele saisse da Imperatriz eu seria o primeiro passista de lá”. E foi justamente isso que aconteceu, Celynho, principal passista da Imperatriz da época saiu e depois Matheus foi passista. “A premonição dele deu certo. Ele me deu muita dica de samba, me ajudou a evoluir, a ter mais presença e a malandragem do samba”, conta Matheus.

A história de Matheus com o samba nunca foi solitária, sempre teve membros da família envolvidos com a causa. Um exemplo disso foi sua mãe que já foi fotógrafa da velha guarda, fora os tios que ele tem na bateria da escola. “Sorrir é a alma do samba, quando a gente sorri a gente passa algo de bom para quem está nos vendo sambar. Mas eu gosto mesmo é do samba de antigamente. Antigamente era mais solto, você tinha mais liberdade para sambar, a gente brincava mais. Hoje em dia o carnaval na Marques é mais sério, não se pode errar”, revela Matheus.

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