A leitura na favela resiste: Biblioteca Parque de Manguinhos é reaberta

Em homenagem a Marielle Franco, a zona norte recebeu mais um espaço de leitura

Nesta quinta-feira (29), aconteceu a reabertura da Biblioteca Parque de Manguinhos, na Zona Norte. O espaço público estava fechado desde 2016, devido a crise financeira no Estado. Com o intuito de homenagear Marielle Franco, vereadora e militante executada no dia 14 de março, colocaram uma placa na entrada da biblioteca em consideração as causas que ela defendia dentro das favelas.

Projetos sociais de Manguinhos fizeram protesto durante todo o evento. Após uma apresentação de dança, integrantes do Ballet Manguinhos fizeram uma cena com bailarinas deitadas no chão para representar a morte de milhares de cariocas vítimas de bala perdida nos últimos anos. A esposa de Marielle, a arquiteta Monica Tereza Benício e, a mãe da vereadora, Marinete Silva compareceram na reabertura da biblioteca. Emocionadas durante toda esta manhã, ambas foram amparadas pelos moradores e amigos da família. Em discurso para a população que estava presente, Marinete comentou sobre como a luta de sua filha é importante para que os brasileiros possam se espelhar em pessoas como Marielle.

Biblioteca Parque de Manguinhos

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella esteve presente na reabertura, mas sua passagem pela biblioteca não durou 5 minutos. Sem cumprimentar os familiares de Marielle Franco e o governador Luiz Fernando Pezão, que também compareceu na reabertura, Crivella se disponibilizou para ser fotografado pela imprensa e em seguida se retirou do local.

Em meio a vaias, o governador do Rio de Janeiro se pronunciou e afirmou que o Estado apoiará a permanência da Biblioteca Parque de Manguinhos. Em outro momento, a esposa de Marielle também falou no microfone, ela reforçou sobre a importância da luta de sua companheira e disse para Luiz Fernando Pezão: “Governador, desculpa, mas suas mãos estão sujas de sangue”, fazendo referência ao resultado da falta de segurança pública no Rio.

Líderes comunitários e integrantes de movimentos culturais que atuam no espaço em que fica localizado a Biblioteca Parque Manguinhos e outros projetos, também se pronunciaram. Sirléa Aleixo, moradora de Manguinhos e membro do Grupo Nossa Senhora do Teatro adaptou e recitou o texto ‘Maria Crioula, um grito de resistência’, de Ricardo Andrade Vassíllievitch. A líder comunitária, Patricia Evangelista comentou sobre a importância de manter a biblioteca aberta “Perdemos vidas com essa biblioteca fechada, perdemos vidas que se foram com nove, doze, quinze anos que poderiam ter sido evitadas. Queremos jovens que tenham a consciência sobre a importância da luta pela leitura na favela”, contou a líder que também é umas das fundadoras da Organização Mulheres de Atitude, da qual Marielle Franco também era fundadora.

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