Alunos do Olga Benário homenagearam figuras importantes nas favelas cariocas

O mês de novembro foi marcado por uma série de apresentações sobre a Consciência Negra, no Colégio Estadual Olga Benário Prestes, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Professores e alunos abordaram os temas da cultura afro brasileira dentro e fora das salas de aula.

A diretora Vanesa Costa, de 42 anos, afirma que os temas são divididos por bimestre e cerca de 2.400 alunos, entre 15 e 18 anos faz esse trabalho de incentivo a diversidade ao longo do ano letivo.

Juliana Henrik e alunos do Colégio Olga Benário

Juliana Henrik e alunos do Colégio Olga Benário

Diversas turmas do ensino médio fizeram homenagens para figuras importantes na favela. A produtora de moda Juliana Henrik e o seu projeto Favela é Fashion, Rene Silva e o jornal Voz das Comunidades, e a poeta Sabrina Martina foram uma dessas pessoas homenageadas.

A estudante Ana Carolina Santos, de 17 anos, conta que ela sugeriu a Juliana Henrik e o seu projeto de moda para ser homenageada, pois ela é ex-aluna do Favela é Fashion e sente orgulho de todo o trabalho que a produtora faz pelos moradores do Complexo do Alemão. “Assim como ela não teve oportunidade, outros jovens também estão esperando por uma, e ela tem a capacidade de dar isso da melhor forma, sem restringir ninguém. A humildade dela contagia e acaba que não se tornam apenas alunos, se tornam amigos, e isso é muito bom. Ela é uma pessoa madura que aconselha e ao mesmo tempo é engraçada. Além disso, ela não atua só como ‘a professora’, ela ajuda de todas as formas, até com doações. Com certeza ela faz a diferença,” contou a jovem do 3° ano. Ela e a sua turma composta por 20 alunos se organizaram e produziram uma paródia da música ‘Corpo Sensual’, da Pabllo Vittar.

Emocionada, a produtora de moda relata que não imaginava que era referência para os jovens. Além da paródia, Juliana Henrik também foi homenageada em uma peça teatral organizada pelos alunos de uma turma do turno da noite. Ao ser comunicada sobre as apresentações, ela se surpreendeu e logo se disponibilizou para comparecer ao colégio e promover um desfile de moda com modelos do Favela é Fashion no final do evento. “Talvez não existam palavras suficientes e significativas que me permitam agradecer a esses jovens com o devido merecimento. Sou apenas gratidão por me fazer enxergar de fato o valor que o meu trabalho tem na vida de muitas pessoas. Eu poderia dizer que salvei eles sendo homenageada para eles ganharem pontos, mas na verdade foram eles que me salvaram em uma semana que eu estava um pouco perdida e pensando em desistir de tudo”, relatou Juliana Henrik ao jornal Voz das Comunidades.

Juliana Henrik do Favela é Fashion - Foto: Renato Moura/Voz das Comunidades

Juliana Henrik do Favela é Fashion – Foto: Renato Moura/Voz das Comunidades

Naiara Iolete da Silva Santos, de 17 anos, é aluna da turma que realizou a peça teatral sobre a vida da produtora de moda, e conta que com o surgimento do projeto sobre a Consciência Negra na escola, os alunos da sua sala decidiram que a produtora seria a homenageada pelo fato de se identificarem com a história dela. “Não podia ser outra pessoa. Ela mostra a nossa realidade e mostra que tudo é possível. Ela passou por tudo que passamos no nosso dia a dia. É muito bom ter pessoas como ela, que acredita que qualquer um, independente da cor e de onde veio”, relatou a jovem que acredita que o Favela é Fashion é um método positivo e de mudanças na favela.

A peça teatral retratou a época em que Juliana estudava moda e uma professora havia dito que ela não seria uma produtora de moda por ser moradora de favela. Os alunos fizeram cenas para demonstrar que não aprovavam a atitude preconceituosa da professora. Ao final de ambas as apresentações, os integrantes do Favela é Fashion realizaram um desfile de moda com roupas que representavam a cultura afro brasileira.

Leia a paródia da música ‘Corpo Sensual’ da Pabllo Vittar, elaborada pela turma 3011 para a produtora Juliana Henrik:

“Mandando ver Juliana Henrik
Do alemão para você
Sou cria da favela, mas sou igual a você
Eu sei que o preconceito a gente pode combater, você vai ver!
Cai na real, quando cê vier com preconceito racial
Meu cabelo é Black vem não tem igual
A favela é fashion no estilo ideal
Vai passar mal.”

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