Em um momento que a coleta de lixo da cidade do Rio de Janeiro equivale a produção nacional de café, isto é, aproximadamente 3,6 milhões de toneladas de resíduos, tal acúmulo nas favelas se torna um problema constante, sobretudo, durante um período de fortes chuvas no estado propicia calamidades como enchentes e inundações que ocorrem justamente devido ao amontoado de entulho, resto e os mais diversos tipos de resíduos e isso vem afetando a vida de moradores do Complexo do Alemão.

Sobras de obras e entulhes em geral são abandonados em torno do Alemão. Foto: Raife Sales/Voz das Comunidades

Pensando nisso, a equipe do Voz das Comunidades foi até alguns dos pontos mais críticos no Alemão a cerca dessa questão, sendo ouvidos tanto moradores quanto a COMLURB, gerando um recorte necessário e urgente, afinal, como está a situação do lixo na comunidade?

Na Fazendinha por exemplo, foi constatado que logo em sua entrada há um despejo irregular de lixo e até mesmo entulhos de construções abandonadas, possivelmente feitas para servirem de moradia ou empreendimento, contudo, acabam por prestar para depósito de lixo.

Através de uma publicação na página do Voz das Comunidades no Facebook, colhemos opiniões de alguns moradores. A Kátia Fernandes, moradora da Alvorada, deixou claro que em períodos de chuva sua rua alaga. Já a Lucia Maria, que vive na Itararé, trouxe seu relato dizendo que as kombis cortam caminho pela comunidade Casinhas e assim sempre testemunha a grave situação de acúmulo de lixo que existe no local.

Crianças e jovens jogam futebol em área de despejo de lixo. Foto: Raife Sales/Voz das Comunidades

Nossa equipe também esteve na Praça da Paloma, onde foi observado uma situação alarmante. Ao lado de uma quadra onde crianças jogavam futebol, cena tradicional de qualquer comunidade, foi visto um verdadeiro lixão a céu aberto, com diteiro a entulhos, tijolos, areia, móveis inutilizados, galhos e descartes diversos, que atraíam uma enorme quantidade de mosquitos e moscas. A quantidade de despejo foi tamanha, que chegava a invadir o espaço de
lazer dos menores.

Mais a frente, um beco é tomado pelo lixo, e próximo à área, uma escadaria apresenta o perigo de novos acidentes, levando em consideração a quantidade de despejos acumulados e as recentes chuvas fortes.

Beco é coberto por sacos de lixo. Foto: Raife Sales/Voz das Comunidades

Voltando ao importante relato dos moradores, a Geralda França, que vive na rua São Pedro, na Área 5, relata que convive com ratos e até mesmo tapurus entrando em sua garagem devido a quantidade de lixo nas proximidades. Ela conta também que a situação é preocupante pois logo ao lado fica a Escola Estrelinha, onde crianças transitam com frequência. Dona Geralda comenta que chegou a falar com a COMLURB, estes por sua vez, disseram que a coleta no local não era responsabilidade deles. Por outro lado, a Sarah Rocha, da Grota, afirmou que sempre vê os garis, junto ao caminhão de lixo, trabalhando na área por diversas vezes na semana.

Lixão já faz parte da rotina dos moradores. Foto: Raife Sales/ Voz das Comunidades

Já na Avenida Itaóca, altura onde fica localizado o prédio da Café Capital, já foi há anos um ponto de acúmulo de lixo a céu aberto. Contudo, com a chegada da empresa cafeeira a localização mudou, ficando a cerca de 100 metros à frente. O Voz das Comunidades também esteve no local para fazer um registro do que se tornou praticamente um terreno baldio, que pela utilização indevida, prolifera ratos, baratas e mosquitos transmissores de doenças, como o Aedes Aegypti. A maior surpresa foi que boa parte do lixo é de embalagem do próprio Café Capital.

Entramos em contato com a assessoria de imprensa da empresa para questionar a possibilidade de um descarte irregular, que junto de outros materiais, fomenta o chorume, mal cheiro e propagação de doenças. Contudo, até a publicação desta matéria não foi obtido nenhuma resposta sobre o assunto.

Grande parte do lixão próximo a fábrica é composto por embalagens de café. Foto: Raife Sales/Voz das Comunidades

Diante de tal cenário, foi solicitada à Beatriz Diniz, bióloga, especialista em gestão ambiental e colunista do Voz da Comunidades, que falasse sobre formar de facilitar o descarte por parte do morador. Ela colocou a dificuldade de se conviver quando os serviços públicos não se adequam às necessidades e realidades dos moradores de favela. Beatriz também levantou a importância da separação de lixos orgânicos dos recicláveis, organizando cada um em lixeiras com destinos diferentes.  Sendo o primeiro para a coleta da cidade, isto é, da COMLURB, e o segundo para um catador da região, que aliás tem de receber maior agradecimento por seu serviço prestado à cidade, dado que por vezes, é quem faz a separação dos entre orgânico e reciclável, um ponto de entrega voluntária ou até mesmo um caminhão de coleta seletiva.

Outra opção para o descarte reciclável são hortas comunitárias, como é possível encontrar no projeto Verdejar e no Educap, trabalho composto por moradores de favelas e bairros da Zona Norte. Uma das formas de verificar se existe um projeto de meio ambiente e sustentabilidade nas proximidades de sua comunidade é através do Rede Favela Sustentável. A Rede apresenta um mapeamento de várias iniciativas que envolvem reciclagem e coleta seletiva.

Vale ressaltar  que através de sua assessoria de imprensa, a COMLURB informou que a coleta de lixo domiciliar na Avenida Itaoca é feita às segundas, quartas e sextas-feiras, a partir de 7 horas e frequentemente são atendidas remoções de lixo e entulho depositado irregularmente na via. Já nas regiões da Fazendinha e Praça da Paloma, no Complexo do Alemão, a coleta de lixo domiciliar é feita diariamente e constantemente há remoção de lixo e
entulho.

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