Moto-taxista é baleado e morto na comunidade da Fazendinha

O moto-taxista foi atingido por dois tiros, um na cabeça e um nas costas

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Ex esposa do moto-taxista, chora no ponto onde o Aguinaldo trabalhava Foto: Betinho Casas Novas

Alemão: Baleado com dois tiros, o operário de obras, Aguinaldo José de Nascimento, 36, chegou a ser levado para o Hospital Getúlio Vargas, na Penha, mas já chegou sem vida no hospital. Aguinaldo trabalhava como operário de obras nas obras do BRT da Avenida Brasil, no centro do Rio. Nas horas vagas e no fim de semana, Aguinaldo fazia bico de Moto-Taxista para complementar a renda familiar. Na madruga deste sábado (23) Aguinaldo rodava no ponto do moto-taxi da comunidade da Fazendinha, quando foi atingido e morto. O moto-taxista pegou uma passageira, e subia a rua Antonio Austragésilo quando foi atingido pelos disparos. Thayane Muniz Scazuza, de 19 anos, a passageira, também foi atingida por estilhaços na perna esquerda e levada para o Upa Do Alemão.

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Irmã de Aguinaldo recolhendo os pertences do jovem no meio do sangue, na rua Antonio Autragésilo na Fazendinha. Foto: Betinho Casas Novas

“Meu irmão era inocente, trabalhava muito para ajudar em casa, não era bandido, foi morto, assassinado pela pm…” contou Maria Aparecida do Nascimento, 45 anos, irmã de Aguinaldo. Moradores da região contaram que os agentes da Unidade de Policia Pacificadora, após atirar no moto-taxista, revistavam o seu corpo ainda no chão. “Eles pararam a viatura na frente do corpo e ligaram o farol em cima dele. Depois os pms reviraram o corpo do rapaz, mas não encontraram nada. Ai ficaram desesperados e saíram para socorrer o jovem” contou uma comerciante local que preferiu não se identificar. Aguinaldo morava na comunidade da Fazendinha há 10 anos e tinha um filho, Weverson Alexandre do Nascimento, 8 anos de idade. “Como vou contar para o meu filho que o pai dele morreu? Antes de morrer, o Aguinaldo trouxe jogos de vídeo game para ele e tinha prometido vir jogar depois do trabalho. E agora?” Contou emocionada a ex mulher do moto-taxista Iracema Francisca Alexandre, de 37 anos. A passageira de Aguinaldo contou que foi levada para a cidade da policia para fazer o registro de ocorrência, logo após de ser levada para o Upa do Alemão. “Foi horrível, foi muito tiro e logo em seguida caímos. Depois os policiais gritaram comigo mandando eu procurar socorro sozinha, logo depois uma viatura me levou para o upa.” Thayane mora na comunidade da Alvorada. Moradores afirmaram não ter tido tiroteio no momento da morte do moto-taxista. Aguinaldo caiu bem ao lado de uma pichação com os dizeres “Saudades Caio” referente ao moto-taxista Caio de Moraes, morto por um tiro disparado por policiais das Upps na comunidade da Grota em 2014.

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Segundo o comando da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Fazendinha, policiais estavam em patrulhamento pela Rua Austregésilo, no fim da madrugada deste sábado (23/4), quando avistaram homens armados no Beco da Claro. Houve troca de tiros. Os suspeitos fugiram e, em seguida, os agentes foram avisados de que um homem havia sido atingido. Os PMs localizaram o ferido e o socorreram para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha. O homem não resistiu aos ferimentos. Outras UPPs do Complexo do Alemão se juntaram à UPP Fazendinha para realizarem buscas pelos suspeitos. Três jovens, sendo dois menores e um maior de 18 anos, foram abordados por policiais da UPP Adeus/Baiana na Rua Uranos em atitude suspeita. Ao ser realizada revista, os agentes encontraram um revólver calibre 38 com oito munições em posse do maior, além de três cartuchos de munição no bolso do mesmo. Já agentes da UPP Nova Brasília que realizavam buscas pela Estrada do Itararé foram alvos de disparos de armas de fogo efetuados por traficantes quando passavam pela esquina com a Rua Aristóteles Ferreira. Os PMs não chegaram a revidar o ataque. As ocorrências foram registradas na Central de Garantias, da Cidade da Polícia e a Divisão de Homicídios da Polícia Civil esteve no Beco da Claro realizando perícia no local. O Grupamento de Intervenções Táticas (GIT) das UPPs reforça o policiamento no complexo de favelas.

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