Projeto de apoio escolar trabalha com crianças e adolescentes no Borel

‘É um lugar excelente, com profissionais muito capacitados e é um benefício para a comunidade’, diz mãe de aluna

Os números do Índice de Educação Básica (Ideb) apontam uma queda na qualidade do ensino no país, segundo o último balanço divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) para o ano de 2017. Por outro lado, o Projeto Vida Renovada (Provir) trabalha para garantir acesso à educação para crianças e adolescentes do Morro do Borel, na Tijuca, zona norte do Rio. A instituição iniciou as atividades em 2011 e, desde então, busca parcerias para atingir a demanda de atendimento. Cultura, lazer e arte marcam as ações ofertadas pela ONG.

Pouco mais de noventa alunos divididos em contraturno escolar participam do Provir, uma instituição que promove a educação complementar e atende, semanalmente, crianças e adolescentes, de 6 a 14 anos, do Borel. A ONG oferece apoio escolar e acredita em um projeto pedagógico com metodologia sociointeracionista, utilizando de oficinas de teatro, xadrez e informática para a formação educacional e cidadã deles. Todas as atividades são oferecidas gratuitamente, há oito anos, aos participantes do Provir. Sem receber nenhum investimento do governo, o projeto atua com alunos dos anos iniciais e finais do ensino fundamental.

Mais de noventa alunos são beneficiados pelo projeto. Foto: Reprodução

A Organização também desenvolve um trabalho de psicoterapia com a família dos assistidos, além de enviar os pais desempregados para bancos de emprego com instituições parceiras. A diretora do projeto, Eliude Santana, 48, diz que a participação da família na vida dos filhos é um fator determinante para um bom resultado. “Não é possível fazer um trabalho de sucesso sem o envolvimento delas [as famílias]. Nosso desafio é trazê-las para perto, fazendo com que entendam a necessidade de assumir o protagonismo para uma ação de êxito”.

Matheus Alves, 23, professor de informática e xadrez afirma a importância de dar aula na favela. “Dou meu trabalho não para um lugar externo, mas para dentro da comunidade. Isso me deixa muito feliz. Dar acesso à educação digital, assim como tive, e ver que posso fazer o mesmo, para mim, é gratificante”, conta. O significativo reconhecimento da comunidade e de escolas do entorno fez com que mais crianças fossem encaminhadas ao projeto. Devido à ausência de recursos suficientes para atender às demandas, o Provir criou uma lista de espera. No entanto, o desejo é realizar um trabalho pleno.

“Nós vemos crianças que mudaram seus posicionamentos diante da vida e isso é muito importante. Essa mudança reflete na comunidade”, diz Glaucoln Barro, 29, professor de apoio escolar.

Para Cláudia Lyra, 41, mãe de uma aluna, o projeto não pode parar. “É um lugar excelente, com profissionais muito capacitados e é um benefício para a comunidade. A minha filha melhorou muito na escola e agora tem um ótimo desempenho”, comenta. A associação também tem o “Provir em Movimento”, que conta com aulas de dança para meninas na mesma faixa etária. Segundo a diretora da ONG, no próximo semestre, o projeto terá oficina de inglês.

Segundo a diretora da ONG, no próximo semestre, o projeto terá oficina de inglês. Foto: Reprodução

Para se inscrever, o aluno deve estar entre o 1o e 4o ano, matriculado regularmente em um estabelecimento de ensino e o responsável comparecer ao projeto para fazer o cadastro para lista de espera. Santana afirma que no início de cada ano, em média, dez novos alunos são chamados desta lista, que pode levar dois anos. A Organização fica na Travessa Belcap, 59A e para mais informações, ligue: (21) 3238-2773.

O Ideb

Criado em 2007 pelo Inep, o Ideb é um indicador que monitora a qualidade do aprendizado no Brasil e estabelece metas para que estados e municípios trabalhem para a melhoria do ensino. De acordo com dados do último balanço divulgado pelo órgão, o país não alcançou a meta nacional para 2017, que era de 4,7, ficando com 3,8. O Rio de Janeiro não atingiu a meta para os anos iniciais (1o ao 5o ano) e finais (6o ao 9o ano) e, também, para o ensino médio. O índice é calculado pela aprovação dos alunos nas provas de Português e Matemática do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e as taxas de aprovação, reunidas pelo Censo Escolar, que leva em consideração o período estudantil dos avaliados.

 

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