Todas as vidas importam

No sábado (3/6), Londres viveu mais um momento de terror. Homens identificados como terroristas, atropelaram pedestres que passavam pela London Bridge e logo em seguida começaram a esfaquear pessoas que estavam no local. Foram 9 mortes e 48 pessoas feridas. Os atentados na Europa e nos Estados Unidos não são novidades, mas sempre que acontecem viram manchetes de jornais rapidamente.
​Outro lugar que acompanhamos constantemente pelas grandes mídias, é a Síria. O país vive uma guerra desde 2011, já foram mais de 320 mil mortes e 4 milhões de refugiados. Situada no Oriente Médio, onde se concentra 60% da produção mundial de petróleo, o país vive uma guerra inicialmente financiada pelas grandes potências mundiais que mantem um interesse pela região.
​Mas por que esses lugares são tão evidenciados pela mídia? Porque tantas outras guerras parecem invisíveis?
​O Congo vive uma guerra de mais de duas décadas. Estupro de mulheres e sequestro de crianças são usadas como arma de guerra, são mais de 6 milhões de mortes no total.
​A Somália é o terceiro pais de origem dos refugiados no mundo, são um milhão de pessoas que precisaram deixar suas casas.
​No Brasil, entre os anos de 2011 e 2015, tivemos mais homicídios que a guerra da Síria no mesmo período. Contabilizamos uma morte a cada 9 minutos. A maioria dos assassinatos foram de negros, pobres e pessoas com baixa escolaridade.


​Recentemente o Jornal Voz das Comunidades realizou um experimento onde foi possível pensar em algumas questões relacionadas a atenção da mídia quando se trata de violência. Levando o som da guerra vivida dentro do Complexo do Alemão para pessoas que passavam pela praia na zona sul do Rio de Janeiro, conseguimos observar como aquele som remete a lugares evidenciados constantemente pela mídia. A guerra que acontece além do Túnel Rebouças parece não existir para uma parte da nossa população.
​Infelizmente, nossos meios de comunicação criado por grandes empresários possuem um interesse quando evidenciam certas questões. O que a África, o Complexo do Alemão, os negros, pobres, pessoas sem escolaridade, tem a oferecer para essas pessoas?


​Nenhuma guerra é por acaso, os armamentos não chegam sem intenção na mão dos terroristas sírios, assim como, também tem seus objetivos na mão do tráfico de nossas favelas. É triste essa análise, mas acredito que vivemos a guerra do extermínio, nossas estatísticas evidenciam para quem as mortes são direcionadas.
​Acredito que toda vida vale a pena. É preciso ter força para sair da invisibilidade, evidenciar as chacinas que acontecem diariamente dentro do nosso estado e em outros lugares do mundo. É preciso enxergar a beleza de cada lugar, a potencialidade de cada ser humano em existir. Força sempre Complexo!

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