Conscientização ambiental: Escola de Moda na Rocinha promove sustentabilidade

O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de lixo. A posição na escala destaca uma produção de primeiro mundo, contudo o descarte dos resíduos ainda é precário. Uma média de 85% dos habitantes do país não possuem coleta seletiva, os dados foram divulgados em um estudo realizado em junho de 2016 pelo Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre). A partir disso, o Ecomoda – escola de moda sustentável – surge na Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro, como uma possibilidade de oferecer um novo destino aos lixos recicláveis.

O estilista e figurinista Almir França é o criador e coordenador do projeto. Formado em Belas Artes pela UFRJ, o artista foi criado no Complexo da Maré e é apaixonado por moda desde os 11 anos de idade. Ele conta que três anos mais tarde, começou a trabalhar em uma indústria como forma de contribuir com a renda familiar, mas também precisou lidar com preconceitos. “Com quatorze anos fui trabalhar numa empresa de tecidos, no departamento de desenhos e, ali, me apaixonei. Mas eu nunca tinha visto isso [a costura] como profissão, porque a gente era muito marginalizado; era um ofício muito feminino na época. Tive que criar irmãos e vi na máquina de costura a solução para isso”.

O projeto promove desde 2006 o reuso de materiais vindos de diferentes locais do estado. Como exemplo, foi a transformação de um banner promocional em bolsa. A iniciativa faz parte do programa De Olho no Lixo, da Secretaria de Estado do Ambiente e Viva Rio Socioambiental, cujo objetivo a conscientização ambiental nos moradores da área em que atua, além de ajudar a minimizar os impactos do descarte incorreto de detritos. As doações de matérias primas são de instituições governamentais e civis, além da própria cooperativa de reciclagem da Rocinha.

“O Ecomoda é sustentado por três eixos: educação ambiental, inclusão social e trabalho e renda. Cidadania é trabalho. Sem esses pilares, a escola não tem como funcionar”, comenta Almir França. As turmas são compostas por pessoas de todas as idades e atua em comunidades como o Complexo da Maré.

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