Jovens do Complexo do Alemão contam as suas histórias através do circo

A palavra circo vem do latim “circus”, que significava uma arena redonda feita para a exibição de artistas, seja em apresentações solo ou em grupo. O circo sempre encantou muita gente com suas cores, espetáculos e sincronização. Na atuação dos palhaços, por exemplo, o mundo inteiro se delicia.

No Complexo do Alemão, há um grupo que se apresenta sempre que surge uma oportunidade, porém eles estão parados em razão da demanda de trabalhos individuais. Três deles estão bem encaminhados profissionalmente, trabalhando no Unicirco Marcos Frota, e alguns participam apenas de festivais ou estão em escolas de circo.

Formado pela Escola Nacional, Adair Lima conta um pouco da sua trajetória e explica o porquê pela paixão do circo. Dando aula no AfroReggae, no qual ficou nove anos, ele pôde perceber que alguns alunos tinham uma desenvoltura e um desejo de querer o circo para si. Foi quando indicou os melhores para trabalhar no Unicirco, onde trabalhou como professor acrobata por três anos.

Seu desejo de fazer circo surgiu após assistir ao filme chamado Massacre no Bairro Japonês, no qual um homem era acrobata e fazia diversos tipos de performances. Sem saber o que era aquilo, começou a se aprofundar mais no assunto, assistindo a vídeos de ginastas. Após ter se interessado de fato, entrou para a capoeira, onde conseguiu um direcionamento do que fazer. No Manguinhos, onde havia uma escola de circo, conheceu o AfroReggae.

Não querendo que o sonho acabasse com o fechamento do AfroReggae, os próprios alunos pediram os materias do circo para que pudessem continuar a levar e despertar desejos nos jovens, assim como aconteceu com eles. Concedidos os materiais, faltou o espaço. Logo depois, conseguiram desenvolver o circo na quadra da Canitá, mas por causa de alguns incidentes, resolveram parar com as atividades. Hoje, correm atrás de um lugar para dar aula.

Foto: Bento Fabio

Foto: Bento Fabio

Diego de Nins, um dos integrantes do grupo, diz ser uma grande conquista trabalhar no Unicirco, que se apresenta em todos os lugares. As suas atividades lá são as acrobacias, malabarismo e todos os outros tipos de artes. A dança é um lado seu mais pessoal, mas sua formação em balé clássico, na qual visa se profissionalizar, lhe dá uma flexibilidade maior. Diego é um rapaz tão dedicado que este ano se forma em capoeira. Há quem diga que é muito esforço para apenas um corpo. Será? O importante é estar seguindo o caminho do bem e seus objetivos. Seu maior sonho é fazer parte do Cirque du Soleil, um dos circos mais inovadores do mundo.

O preconceito existe, como em qualquer área profissional, porém, quando um menino decide fazer moda ou balé, a intolerância é ainda maior, tanto da família quanto dos amigos, que pensam que aquele que segue essas carreiras é gay. Sabemos que não é bem assim.

No caso de Diego, foi assistindo aos DVD’S dos Trapalhões e também o La Nouba do Cirque du Soleil que surgiu a vontade de cursar circo. Não tendo muito apoio dos pais, ele sempre persistiu. Ao comprar os ingressos para que seus pais fossem assistir a sua apresentação no teatro Miguel Falabella, veio a recompensa: eles viram que era um trabalho excepcional.

Tendo começado por um convite para participar de uma aula experimental, Davi da Cruz, que também trabalha no Unicirco, já está há oito anos nessa profissão, realizando diversas apresentações em muitos lugares. Seu desejo é mostrar o seu trabalho internacionalmente.

Adair é professor de capoeira de Diego. Coincidentemente, ele descobriu que Adair também era professor de circo onde Davi era aluno. Foi então que decidiu ingressar no circo também. O elo entre os três já existe há bastante tempo. Afinal, são anos de profissão. Além do amor pelo que faz, o companheirismo e a união é o que os torna vitoriosos.

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