Liberté, égalité, fraternité…

Graças a Deus não há liberdade, eu não saberia o que fazer com ela, e você? A liberdade é um mito, uma paródia do gênero humano. É tamanha hipocrisia crer neste fim se vivemos em sociedade, se além dos olhos que nos olham há nossa consciência para nos julgar, se além das leis sociais há os códigos de ética para nos adestrar, há os preceitos morais e religiosos para nos guiar.

Nós não somos livres, pois temos deveres, pois somos seres e temos de sobreviver, pois devemos ser solidários e para isto temos de nos abster muitas vezes de nosso prazer. Livres são os animais e ainda assim presos por seus instintos, como nós também. Graças a Deus eu não sou livre, por que senão eu seria inútil ao próximo, e a consciência me algema à finalidade de ser bom, sem ela, eu teria o senso de caridade de um leão…

Graças a Deus não há igualdade, e a natureza se encarregou muito bem de nos deixar isto claro em nossos DNA(s), em nossas impressões digitais, em nossas memórias celulares, nos diferentes dons que herdamos de nossos pais. Portanto, é de certo modo hipocrisia lutar por este ideal, pois é direito inevitável meu não querer ser igual a você, e se eu fosse, por que eu estaria aqui neste mundo? Graças a Deus você gosta de amarelo e eu de azul, você de filmes de romance e eu de suspenses.

Mas eu sei… Não vou ser hipócrita também de falar de uma igualdade tão ingênua… O sensacionalismo político de uns clama por uma igualdade econômica entre os cidadãos gerida pelo Estado, belo sonho, porém tão infantil, parece justo? E que justiça há no impossível? Nenhum Estado conseguiria sustentar tal regime pelo ego dos fracos em prol do lamento dos fortes.

Nunca um regime político vencerá as disparidades evolutivas adquiridas naturalmente e que nos diferenciam uns dos outros, muito pelo contrário, ele só tente a amplificá-las entre etnias e gêneros, pois coloca humanos de diferentes origens sobre um mesmo regime artificial, que nem sempre favorece muitas de suas habilidades adquiridas ao longo de seus ancestrais, tornando-as possivelmente irrelevantes, e esta questão tão relativista se torna inevitavelmente injusta, e ainda mais evidente quando o Estado força a igualdade…

Ressalto que o que me refiro não compactua com nenhum preconceito de raça ou de gênero. Evolução não é necessariamente um termo ideal dentro da biologia, é mais correto que se utilize ¨diferenciação¨ para se discorrer sobre aspectos distintos adquiridos por seres de diferente ou mesma espécie. Contudo, por mais humanístico que pareça o teatro de quem entoa o hino da igualdade, este hino não passa de palavras desprovidas de realidade e utilidade se não levam em conta tal tipo de questão, a questão biológica. Não somos iguais, e nem precisamos ser para que haja justiça e respeito entre nós.

Necessitar da igualdade para tal fim é um egoísmo… Exigir que alguns subam ao teu nível e outros desçam, seja no aspecto intelectual, cultural ou financeiro, me poupe, não há nada de humildade neste ponto de vista… Há formas mais dignas de se obter justiça e respeito ademais da igualdade. Por que não começar pelo respeito à diferença dos povos, dos gêneros, das raças, das classes sociais? Já vivemos em um sistema artificial demais para querermos impor à força de forma ainda mais artificial a tal igualdade entre nós, seja ela como for.

Pois ainda que ganhemos todos os mesmos salários, estudemos todos nas mesmas escolas, haverá sempre cinco por cento que se destacarão, que conquistarão nobéis, que vencerão eleições, que ditarão as regras, que serão diferentes… A única igualdade que devemos ter é perante a lei, não perante o próximo, nem ao bolso do próximo… E não é por isto, que significa que deva haver pobres… Que só a igualdade aclamada pelos sensacionalistas de esquerda tornar-nos-iam todos pobres…

Graças a Deus há fraternidade… Por isso há pouco a se falar sobre ela…

A diferença, diferente da igualdade, nos obriga em sociedade a sustentar com muito mais veemência a fraternidade, a tolerância e outras disciplinas as quais o Estado não pode nos impor por meio de nenhum regime político artificial… São faculdades conquistadas naturalmente pela experiência, não pela teoria… Somente uma sociedade plural em todos os aspectos proporciona condições necessárias para o desenvolvimento do humanismo, pois não há tolerância, respeito, humildade e etc. onde não há diferenças…

Hino Contextual: 

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo forte o brado relutante,
E o sol da impunidade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da pátria a todo instante.
Se o penhor dessa maldade
Conseguimos resistir com braço forte,
Em teu seio, ó falsidade,
Desafia o nosso peito a própria sorte!
Ó pátria amada,
Difamada,
Salve! Salve!
Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
Sem amor e sem esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, tristonho e indigno,
A imagem do cruzeiro empobrece.
Gigante pela própria natureza,
És tolo, és fraco, anêmico colosso,
E o teu futuro espelha essa tristeza.
Terra explorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
A mais roubada!
Dos filhos deste solo és mãe hostil,
Pátria falha,
Brasil!
II
Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz, dormes profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Injustiçado ao sol do velho mundo!
Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais dores;
“Nossos bosques têm mais vida”,
“Nossa vida” no teu seio “mais temores”.
Oh pátria amada,
Injustiçada,
Salve-a! Salve-a!
Brasil, sem amor eterno seja símbolo
Dos crimes que ostentas sem culpados,
E diga o verde-louro dessa flâmula
Mais no futuro os crimes do passado.
Mas, se ergues com injustiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Concorda a quem te adora, por tua sorte.
Terra explorada
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
A mais roubada!
Dos filhos deste solo és mãe hostil,
Pátria falha,
Brasil!

JP.CLARET.

COMENTÁRIO: 

Políticos de ostentação, sem bem ao menos feito,
Léguas da justiça, da impunidade e do respeito,
Em caminhos insensíveis, corruptos e inversos;

Sob o alarme revoltante, formidando,
Eis que o Brasil os acusa, soluçando,
Como os únicos indignos de versos!…

OBS: Inspirado em Antero de Quintal.


Sobre o autor:

11226059_919199861489935_9194135250296814813_nMe chamo João Pedro Dornelles Claret, tenho 21 anos e sou estudante de Direito da Universidade Federal do Tocantins, fundador da Web-page Brasil Intelecto que reúne um grupo de jovens de destaque no intuito de difundir conhecimento e cultura. Além de músico, também sou poeta com minha obra ¨Etapas do Viver¨ prestes a ser publicada.

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