OPINIÃO – Uma nova visão sobre as favelas/periferias: A responsabilidade da sociedade sobre elas

ARTIGO DE OPINIÃO – A Copa do Mundo de 2014 se aproximava do Brasil, trazendo um ar de paz e de esperança para a população, mas acabou gerando mais caos, conflitos e seguidos retrocessos. Devido a crise (ou prioridade) política e econômica no Brasil, a falta de planejamento e de estrutura, e a corrupção que se alastrou por vários estados envolvendo empresas privadas e os principais eventos mundiais que aconteceram no país (incluindo a Copa e as Olimpíadas de 2016), as políticas públicas fracassaram de diversas formas causando consequências graves em diversas áreas. Entre elas, na área da Segurança Pública, o projeto das UPP’s (Unidade de Polícias Pacificadoras) no Rio de Janeiro, criada devido a aproximação desses acontecimentos para restabelecer o controle das favelas (que continua desde a derrubada dos cortiços e a ida dessas pessoas para os morros durante a Reforma Urbanística de Pereira Passos no início do século 20 até hoje), serviu apenas para marketing política, extensão da corrupção policial e estava distante do discurso comunitário proclamado para a mídia. A ausência do Estado na prática correta dessas políticas ocasionou na elevação no número de mortes de PM’s (mais de 100 policiais mortos de Janeiro a Agosto de 2017) e da marginalização da pobreza onde a cada 23 minutos, um jovem negro é assassinado no Brasil. Todo ano, 23.100 jovens negros de 15 a 29 anos são assassinados. São 63 por dia, segundo o Relatório Final da CPI do Senado sobre o Assassinato de Jovens em 2016. O que a sociedade em si tem a ver com isso? Como ela deve contextualizar afim de melhorar a si mesmo e, consequentemente, a todos de maneira geral?

Na primeira metade de 2017, mais de 28.200 pessoas foram mortas. Se continuar, daria 56.400 homicídios no ano, cerca de 27,2 mortes violentas por 100 mil habitantes. Próximo a Síria: mais de 60 mil mortos. O número de vítimas de mortes criminais atinge 38 por 100 mil pessoas apenas no Rio. 70% dos assassinatos são direcionados a crianças de favelas e afrodescendentes, segundo o jornal argentino Clarín. O aumento dessas taxas se dá por conta da marginalização da pobreza e da inserção da violência em lugares já violentos como uma forma de solucionar todos os problemas de uma vez só com o propósito de “maquiar” a realidade, generalizar a violência, violar direitos e que está longe de ser uma solução efetiva. Pode ser visto como uma competição: Quem vai ganhar? Quem vai perder? Deixar as pessoas a mercê da violência, já existente naquele lugar, é uma motivação para que alguns cometam crimes até contra a vida de outras pessoas, se preciso. Isso se expande ainda mais graças a mídia e os pequenos atos do dia a dia como o preconceito, o racismo, o ódio, a meritocracia, a hipocrisia, a corrupção e a exploração, que também ampliam a desvalorização dos moradores de uma determinada favela e de sua importância, tanto cultural, social e/ou econômica e acabam criando um estereótipo onde todo morador de favela é marginal, sem futuro algum e incapaz de ingressar em uma faculdade.

Além disso, a violência atinge a área da Educação fazendo com que as escolas fechem devido a operações policiais, a área da Saúde com o fechamento de postos de saúde, a morte de moradores e/ou a área da Cultura com a perda de verba pública para algumas ONG’s ligadas ao desenvolvimento e a cultura, localizadas nas favelas. Estes são alguns dos vários fatores existentes atualmente que afetam o cotidiano dos habitantes, mudando a rotina de ir e vir, o crescimento da evasão escolar, o funcionamento do comércio local e assim por diante. Dessa forma, estimula a ida de jovens para o tráfico, amplificando ainda mais a violência atual, o índice de criminalidade, as mortes, o racismo, o preconceito, a desigualdade social e os estereótipos por toda a cidade.

Não cabe a esse texto fazer prejulgamentos do lado A, lado B ou lado C (ideologias opostas) ou apontar soluções/”curas imediatas” mas para apresentar os fatos, contextualizar com a intenção de projetar novas perspectivas capazes de mudar a forma como se pensa sobre algo que a população vivencia e modificar o espaço da melhor forma possível pois a forma como se lida com as pessoas é a forma como elas lidarão com o próprio futuro e o dos outros ao seu redor. É papel de cada indivíduo, tanto na vida familiar quanto acadêmica, participar, ouvir e/ou debater de forma séria sobre questões públicas e sociais que afetam todos de diferentes maneiras com o objetivo de reavaliar a teoria e a prática. Além disso, o Governo tem a obrigação de dar oportunidades ligadas ao desenvolvimento, educação, cidadania, esporte, cultura, arte, música, lazer, tecnologia, leitura, empreendedorismo social (que existe por necessidade) e ciência dentro das favelas pois são direitos que devem ser respeitados pelo fato da criação de pontes de conexão ao mundo, de cidadania e de valorização de um determinado local onde existem pessoas capazes de mudar o mundo: Futuros juízes, médicos, advogados, porteiros, escritores, poetas, jornalistas, atores, chefs, cantores, produtores, executivos, atletas, CEO’s, empresários, cientistas, professores, estilistas, cineastas… Bem, novos sonhos para se realizar. Wangari Maathai, ativista ambiental, dizia que, no curso da história, chega um momento em que a Humanidade é chamada para mudar para um novo nível de consciência. Um momento em que temos que abandonar nossos medos e dar esperança uns aos outros. Bem, este momento é agora.

Esta coluna é de responsabilidade de seus atores e nenhuma opinião se refere à deste jornal.

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