Relma Combat | Projeto social já atendeu cerca de 4 mil alunos no Complexo da Penha

Foto: Renato Moura

Lutador de MMA e idealizador do projeto social que acontece há mais de 20 anos atende jovens na Penha

A academia Relma Combat, na localidade Vila Cruzeiro, no Complexo de favelas da Penha, zona norte do Rio, atua há mais de duas décadas como projeto social e já atendeu cerca de 4 mil alunos. As aulas são gratuitas e o espaço funciona sem qualquer patrocínio.

Nascido e criado na comunidade, Robson Barbosa de 42 anos, conhecido por todos como Mestre Relma é o idealizador e professor do projeto. Respeitado e muito conhecido no mundo das artes marciais, ele dá as aulas em um espaço improvisado, em que todos os materiais disponíveis para uso dos alunos foram de doações.

Apesar de toda a determinação em ajudar a comunidade, o projeto passa por grandes dificuldades financeiras. Para pagar os R$ 400 mensais de aluguel, às vezes, é necessário até fazer vaquinha entre os alunos “Quando não tenho o dinheiro todo do aluguel peço R$20 à um, R$ 10 pra outro e assim a gente consegue pagar” conta Robson.

Segundo ele, os projetos sociais, principalmente em comunidades carentes, são muito importantes, pois ajudam os jovens a não ficarem tanto tempo na rua e, sendo assim, os incentiva a sempre procurar algo melhor. Ele próprio é exemplo disso “Se não fosse a luta eu também estaria no mundo do crime. Quando criança, eu era muito rebelde, sempre fui brigão. Mas fui amadurecendo e resolvi levar isso por outro lado, foi quando comecei a lutar, e mais tarde, surgiu a ideia de formar o projeto.”

O apelido, que sempre foi seu nome de lutador, caminha com ele desde sua infância. Pai do jovem Ryan de 12 anos, que também caminha nos rumos das artes marciais – já foi 15 vezes campeão de luta livre – O mestre é faixa preta formado em muay thay, jiu jitsu, luta livre e coleciona vários troféus e medalhas, além de servir como espelho para seus tantos alunos, que vêem nele oportunidades que talvez nunca tivessem tido se não fosse o projeto.

Paulo Aquiles, de 32 anos, é um dos alunos mais antigos do Mestre Relma. Há 15 anos faz parte do seu me de campeões. Também nasceu e se criou na Vila Cruzeiro e coleciona várias vitórias. A última delas na competição “Cruzeiro Fight”, que aconteceu na própria comunidade no último dia 20 de outubro de 2017.

Paulo Aquiles, de 32 anos, é um dos alunos mais antigos do Mestre Relma. Foto: Renato Moura

Paulo Aquiles, de 32 anos, é um dos alunos mais antigos do Mestre Relma. Foto: Renato Moura

Fã desde pequeno das artes marciais tem grande admiração pelo Mestre Relma “É a minha maior referência.” Conta

Mário Júnior Costa, o Júnior Orelha, é outro aluno do mestre Relma. Treina há 7 anos no projeto, é natural do estado do Maranhão e mora há 10 anos no Rio de Janeiro. O jovem que tem 26 anos é chefe de cozinha e concilia sua profissão com a carreira de lutador. Morador da favela da Muzema, na Barra da Tijuca, Júnior faz o trajeto de cerca de 40 quilômetros entre a sua casa e a Vila Cruzeiro três vezes por semana. Apesar de ser pouco conhecido, Orelha já vê os frutos de tanto esforço, uma de suas lutas já teve até transmissão ao vivo no canal SportTV, e segundo ele, a motivação maior que carrega é a de ser um campeão do MMA “Isso é só o começo, o meu objetivo é chegar no maior evento de MMA do mundo: o UFC.” Entrega.

Apesar de toda a visibilidade do seu trabalho, o Mestre Relma tem dificuldade em conseguir patrocínios e assim, atender com mais qualidade um número maior de pessoas, porém o fato não o desmotiva em trabalhar cada vez mais em prol da comunidade, que como tantas outras, vivem à margem das ações governamentais

“Eu faço por amor e meu objetivo é formar cada vez mais campeões, principalmente na vida.” Foto: Renato Moura

“Eu faço por amor e meu objetivo é formar cada vez mais campeões, principalmente na vida.” Foto: Renato Moura

A academia Relma Combat, fica na Praça São Lucas 948, Vila Cruzeiro. Os treinos acontecem todos os dias a partir das 20h. Para participar, é necessário ter mais de 5 anos de idade e, para os menores, é indispensável estarem matriculados e frequentando regularmente a escola.

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