Texto: Mariana Nascimento

Verão, praia, piscina, cachoeira, barriga negativa, bronzeado perfeito, bumbum na nuca, depilação em dia, dietas e uma série de padrões estéticos e físicos que alimentam a ditadura da beleza para nós, mulheres. Com referências que estão longe de contribuir com o objetivo real da estação mais quente do ano: liberdade de momentos felizes e despreocupados.

A busca por uma relação mais saudável com o nosso próprio corpo, vem sendo ressignificada a cada dia a partir do diálogo e da empatia quando falamos sobre empoderamento. Empoderamento é quando nos colocamos a serviço de discussões que nos fortalecem e nos unem como mulheres.  

Fato é que o corpo ainda representa um grande tabu feminino, no qual sob a mesma areia, pesam as ideias de empoderamento e os padrões estéticos. Pensamos e falamos sobre liberdade, autoconhecimento e reconhecimento, mas muitas vezes estamos presas ainda aos padrões estéticos,que envolvem a dura autocrítica que temos diante de nossa própria imagem e ao preconceito a partir do olhar do outro.

Frequentemente  nos apoiamos em referências externas como a mídia, a grande indústria de beleza e moda, influenciadores digitais, páginas de celebridades e comentários alheios que abalam negativamente nossa autoestima. Buscamos representação e quando nada disso nos representa,  nos sentimos frustradas e muitas vezes descarregamos isso na relação que construímos com nosso próprio corpo.  Dessa maneira, estabelecemos limites de controle: controlamos os quilinhos a mais, o frizz no cabelo, as olheiras, o excesso de gordura nas bochechas, o suor até enfim parecermos um pouco mais próximas do que parece adequado ou perfeito.

Devo confessar que desde criança sempre tive certo pavor de todo momento em que envolvesse as palavras água, trajes de banho e livre exposição. Ainda que sempre me encantasse pela liberdade que água traz, nesses momentos o corpo estava sempre em evidência revelando a grande necessidade de aprovação, seja aquela refletida pelo espelho ou pelo olhar que as pessoas tinham sobre mim.

Imagem da campanha “Real Beauty”, da Dove

Contrariando Tom Jobim em “se todos fossem iguais a você”, maravilha mesmo é viver as diferenças, é preciso fazer as pazes consigo mesma e modificar o olhar em relação ao corpo. A maior referência que nos constitui está em quem realmente somos e na naturalidade do que podemos ser.  O corpo precisa parar de ser apenas pensado para ser de fato vivido e assim, em um processo individual e coletivo, vamos quebrando as amarras que nos colocam reféns dos padrões que insistem em padronizar aquilo que não é padronizável.

Relacionar-se de maneira mais generosa consigo mesma não diz sobre amar completamente tudo sobre o nosso corpo, ou criar uma obrigação a partir disso. Não só faz parte da condição humana,  como podem ser positivas, as insatisfações que nos rodeiam e vez ou outra nos convidam às mudanças.

Todo corpo já está pronto para o verão, entender a liberdade e falar sobre ela, ajuda para que a gente ganhe coragem para se mostrar e conviver bem com esta escolha. Sobre o corpo pronto para o verão?! Experimente o combo: traje de banho (seja ele qual for) + praia/piscina/cachoeira/caixa d’água + liberdade + entrega.

Garanto que a resultante desse combo  levará você para momentos divertidos e prazerosos. Seguimos aprendendo e evoluindo num processo contínuo de autovalorização. Entender e aceitar as particularidades do corpo e naturalizar esse processo pode levar um certo tempo, na verdade o seu próprio tempo. Seja bondosa e paciente com você e crie laços com pessoas que te fortalecem  e ajudam a perceber a pessoa maravilhosa que você é.

Entre praia ou piscina, o que realmente importa é a liberdade de se jogar no verão e aproveitá-lo à sua maneira!

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