Editorial – Doze anos de ‘VOZ’

Quem um dia poderia imaginar que a ideia de um menino de onze anos de idade, ainda cursando a 5a série do ensino fundamental, pudesse se tornar isso tudo que o VOZ DAS COMUNIDADES é hoje!? Como o tempo passou rápido, hein!? Quando a gente olha para trás, e vê quanta coisa boa e ruim já aconteceu… Ahhh, a gente percebe que não estamos no caminho errado.

Já se foram 4.380 dias desde que o filho da viúva Cris na Silva procurou a diretora da Escola Municipal Alcides de Gasperi, dona Thalma Romero, e pediu para participar do projeto de rádio e jornal escolar. O menino achou que seria fácil, mas teve que tentar pelo menos algumas vezes durante uns dois meses, até que o aceitassem. O problema maior era que os participantes do Grêmio Estudantil eram alunos mais velhos, geralmente da 7a série em diante. De tanto insistir, aconteceu. Finalmente ele estava integrando os projetos de comunicação da escola. Lá, eles falavam de tudo o que acontecia na instituição: desde a quadra precisando de manutenção, falta de material didático, até um aluno bailarino que passou para uma companhia internacional e se mudou do Brasil.

Mas Rene Silva, o menino de quem falamos, não se contentou simplesmente com a participação nos projetos escolares. Ele começou a observar todos os problemas sociais no caminho da escola para casa e foi contando para a diretora, que chamou outros coordenadores para ouvirem a sua ideia. O menino queria criar um jornal para dentro da comunidade, mas não tinha nem computador. Sua casa, onde morava na época, ainda era de estuque e ele só tinha acesso à internet na escola ou numa lan house da sua rua.

Foi aí que a diretora, Dona Thalma, reuniu as coordenadoras Dona Mônica, Dona Ivanise e Dona Adelaide para ver como a escola podia ajudar. Também sem muitos recursos, elas deixaram o menino ir no contra turno, para então usar o computador e a internet para fazer o tal jornalzinho da comunidade. Rene entregou a primeira tiragem, de 100 exemplares, a seus vizinhos na Rua Pedro Avelino, uma das subidas para o Morro do Adeus, e manteve a esperança de um dia conseguir aumentar esse número.

Pois bem, pulando pra 2017, doze anos se passaram e o menino já tem mais da metade da vida dedicada a este jornal. A tiragem está 150 vezes maior. O número de páginas também aumentou. O que era feito em preto e branco, num papel de o cio dobrado, com cópias feitas numa papelaria, agora é no formato tablóide estendido, tem todas as páginas coloridas e alcança não só o Morro do Adeus, onde começou, como também boa parte do Complexo do Alemão.

Aliás, desde janeiro deste ano, passou a ser distribuído e tem conteúdos produzidos em 15 favelas cariocas, abrangendo as regiões Sul, Norte e Oeste da cidade. A equipe, que era composta pelo irmão do meio, Renato, hoje fotógrafo no Voz, já contou com amigos da escola, primos e vizinhos de Rene. Hoje em dia, para isso tudo funcionar, só na parte de jornalismo, são cerca de 60 pessoas, entre jornalistas, fotógrafos e colaboradores locais. Sem contar toda a estrutura de produção e ações sociais que o VOZ criou no decorrer desses anos. São cerca de 20 produtores realizando ações em épocas como Páscoa, Dia das Crianças e Natal. Ufa!!! VIDA LONGA AO VOZ E MUITA SAÚDE A TODOS DA EQUIPE! Obrigado, leitor, pela confiança.

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