Eu ainda preciso de afeto?

Muitas coisas novas surgiram para facilitar nossos dias, como celulares, tabletes e afins. São esses aparelhos que dizem por aí que são os maiores responsáveis pelo contato social, mas só através do aparelho, porque um aperto de mão não se faz mais necessário.

Para que ir visitar uma tia que mora a 60km ? Existe o Skype para fazer uma chamada de vídeo e matar a saudade.

E porque tomar um café com um amigo em uma tarde de domingo? Podemos tomar café sozinhos e gravar tudo no Snapchat, para que assim compartilhemos com os “amigos”.

É tanta coisa que todo mundo já sabe, mas eu deixo um texto de Oswaldo França Junior que retrata a realidade cada vez mais frequentes dos seres humanos, mas eu tenho o dever de alertar: Isso é prejudicial e ninguém está se dando conta.

EU NÃO O CONHECI “Sou um homem muito ocupado”

Meu filho foi embora e eu não o conheci. Acostumei-me com ele e me esqueci de conhecê-lo. Agora que sua ausência me pesa, é que vejo como era necessário tê-lo conhecido. 
Lembro-me dele. Lembro-me bem em poucas ocasiões.
Um dia, na sala, ele me puxou e a barra do paletó e me fez examinar seu pequeno dedo machucado. Foi um exame rápido.
Uma outra vez me pediu que lhe consertasse um brinquedo velho. Eu estava com pressa e não consertei. Mas lhe comprei um brinquedo novo.
Na noite seguinte, quando entrei em casa, ele estava deitado no tapete, dormindo e abraçado ao brinquedo velho. O novo estava a um canto. 
Eu tinha um filho e agora não o tenho mais porque ele foi embora. E este meu filho, uma noite, me chamou e disse: 
– Fica comigo. Só um pouquinho, pai! 
Sou um homem muito ocupado. Mas meu filho foi embora. Foi embora e eu não o conheci.

Oswaldo França Júnior.


Sobre o autor:

image1Me chamo Luís Martins, tenho 23 anos, sou estudante de Psicologia da Universidade Padre Anchieta, em Jundiaí – SP. Moro no Jardim Fepasa, uma periferia de Jundiai.
https://twitter.com/EuLuisMartins

 

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