A lição das eleições de 2016

O resultado do primeiro turno das Eleições 2016, realizado neste mês, além da esperança de uma administração pública mais eficiente é uma lição aos políticos que não atenderam aos anseios da população nesses quatro anos de mandato e, também, soa como um alerta para quem conquistou votos suficientes para cumprir um cargo eletivo a partir de 2017.

Muitas Câmaras Municipais pelo país tiveram uma renovação superior a maioria de suas cadeiras. Os novos integrantes do Legislativo têm a partir do próximo ano um compromisso de qualificar o espaço, apresentando projetos inteligentes e de interesse da comunidade. Sabemos que a reprovação da maioria dos vereadores não chega a ser surpresa, muitos vereadores afastaram-se da população, fizeram promessas de função do executivo e nunca se entenderam como posição ou situação. Trabalharam para si em detrimento dos anseios daquelas pessoas que o elegeram.

É sempre importante lembrar que, como integrante do Poder Legislativo municipal, o vereador tem como função primordial representar os interesses da população perante o poder público. Esse é o objetivo final de uma pessoa escolhida como representante do povo. Os vereadores têm como atribuições a elaboração, discussão e votação de leis para a municipalidade, propondo-se melhorias, obras e serviços para o bem-estar da vida da população em geral. Os vereadores, dentre outras funções, também são responsáveis pela fiscalização das ações tomadas pelo poder executivo, isto é, pelo prefeito, cabendo-lhes a responsabilidade de acompanhar a administração municipal.

Nessa eleição é importante destacar também o índice de abstenção, 25% do eleitorado nacional, fragilizando ainda mais o que nos resta em uma democracia. Infelizmente em 22 capitais no país tiveram contabilizados em suas urnas a vitória do BRANCO, NULO e a ABSTENÇÃO, surpreendendo inclusive o TSE. Talvez a Operação Lava Jato, realizado pela Polícia Federal com a prisão de diversos políticos, tenha aumentado a descrença pela população na política e na administração pública no geral.

Não é a toa que foi marcante a queda da participação do jovem com idade entre 16 e 18 anos (período em que o voto é facultativo) que tiram título de eleitor pela primeira vez, houve uma queda de 10% quando comparado com a eleição de 2012. O ingresso espontâneo no sistema eleitoral é normalmente entendido como um indicador da vontade de participar politicamente dos rumos do país. A queda representa, portanto, a decisão de retardar esse direito até que ele passe a ser uma obrigação, aos 18 anos.

Esperamos que todos que foram eleitos para esses próximos 4 anos representem de forma fiel os desejos da população. Quem sabe com a melhoria de todo o sistema político aumente a vontade dos jovens em participar ativamente das principais decisões da nossa sociedade, assim também diminuindo o desinteresse e os índices de abstenções que houveram nesse ano.

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