Intervenção Iroko

Texto: Ygor Pinheiro

Pode parecer mimimi ou problematização boba, mas existe diferença entre ‘dar voz’ e ‘dar ouvidos’ à alguém. É possível dar voz a um personagem fictício de uma história que está sendo criada, afinal, ele é um ser inanimado e depende de quem o criou para desenvolver vontades ou opiniões. Agora, seres humanos têm o falar e o pensar como principais características biológicas. Inclusive, ganham voz com poucos anos de existência. Portanto, um humano só é capaz de dar voz a outro se estiver o ensinando a falar, durante aquele primeiro período de vida. Fora dessas condições, o que se faz é ‘dar ouvidos’.

Serpente Listrada

É isso o que os profissionais do laboratório de cultura digital Oi Kabum! Lab fazem. Existente há 10 anos, o espaço proporciona um ambiente fértil para o desenvolvimento da criatividade de jovens vindos de periferias de todo o Rio de Janeiro. Incentivando um melhor conhecimento e uso de tecnologia, o Kabum! tem foco nas experiências de jovens que vivem nas ruas. Um de seus principais projetos é o LAB.IU, o laboratório de intervenções urbanas, que mistura arte e tecnologia para o desenvolvimento de projetos sobre a cultura urbana.

“… desde que eu comecei o LAB.IU e entendi outras formas de pensamento e imposição à sociedade, eu melhorei muito. Principalmente como pessoa.” Flávio Muniz, cria de Santíssimo e diretor de fotografia da intervenção Iroko.

Artemisia Vulgaris

Nesta sexta-feira (1), a partir das 18h da tarde, o Oi Kabum! Lab realiza o evento Interferências19, que contará com a exibição de 13 intervenções artísticas na Praça XV (Centro, próximo à estação de barcas). Frutos do trabalho da última turma envolvida no LAB.IU, as obras abordam desde a violência policial até a natureza, passando por assuntos como o afrofuturismo, a potência feminina e o corpo humano. As intervenções são: 111+, Artemisia Vulgar, BateBall, Cine Ciné – Cinema Cinético, Corpo Estranho – Tupiara, Desurbanis, Kura Urbana, VMLH, Caixa Preta, REbit, Serpente Listrada, Tech Eté, Transluz, Iroko e Língua de Fogo.

“Lá [na Kabum!] eu sou reconhecido como artista. E é muito importante essa sensação de conforto.”  João Eliel, cria da Rocinha e idealizador da intervenção Caixa Preta.

Além das exibições na Praça XV, alguns projetos também rodarão a cidade do Rio de Janeiro, como o Iroko, que trata sobre religiosidade e ancestralidade africana, acontecendo no sábado (2) e no domingo (3), no Parque de Madureira, a partir das 20h. Para saber mais informações, é só ficar ligado nas redes sociais do Oi Kabum!

Assista o comercial produzido para o evento Interferências19

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