Moradores vivem 96 horas de tiroteios intensos no Complexo do Alemão

O confronto deu início na manhã de quinta – feira (02), seguindo violento há três dias

Uma onda violenta de confrontos vem causando pânico nos mais de 200 mil moradores do conjunto de favelas do Alemão, desde a última quinta feira (02). As trocas de tiros constantes deixou rastros de guerra, marcas de perfurações e pessoas baleadas e mortas. Desde a última quinta feira, até então, cerca de dez pessoas foram baleadas, resultando em três mortas. A comunidade que mais sofreu com a onda de violência destes últimos dias foi a Alvorada, comunidade que fica no alto do Alemão. Foram mais de seis horas de um intenso confronto entre policiais e traficantes em toda a comunidade.

Um dos becos da comunidade da Alvorada com rastros de capsulas no chão, ao fundo a palavra “PAZ” Foto: Betinho Casas Novas / Jornal Voz das Comunidades

O resultado do intenso confronto foram as marcas, deixadas pelas paredes, janelas, muros e carros que estavam estacionados nas ruas. Em um beco da comunidade, capsulas de balas deflagradas foram deixadas pelo chão, enquanto no final do beco, a palavra “PAZ”(foto ao lado direito) marcava um dos postes. Quatro moradores e dois militares foram atingidos no confronto que, foi batizado pelos moradores, como a “Guerra da Síria”.

Na mesma ocasião, cerca de dois mil estudantes ficaram sem ir para as escolas, justo no dia de volta as aulas. Além das marcas de tiros pelas paredes, janelas e carros da comunidade, moradores denunciaram para nossa equipe, arrombamentos, invasões e furtos em residências da região. “Eu comecei a escutar os tiros, corri pra casa do meu irmão, que fica atrás da minha. Lá é mais seguro. Quando voltei, minha casa tava revirada. Meu vizinho disse ter visto um policial da Upp arrancando minha porta de alumínio e quebrando os vidros da porta para entrar. Ele tentou gritar avisando, mas já era tarde…’denunciou uma moradora, que preferiu não se identificar com medo de represálias.

Porta que, segundo “X” teria sido arrancado pelos militares Foto: Betinho Casas Novas / Jornal Voz das Comunidades

“X” ainda contou que os militares entraram em sua casa e “tomaram” uma garrafa de água que estava na geladeira. “Um absurdo isso…” indagou “X. Junto com “X” outros moradores que tiveram suas casas furtas, arrombadas e invadidas, foram na 45DP -Alemão- para abrirem um boletim ocorrência pelo ocorrido. Até o fim desta matéria, nem a Policia Civil nem a Policia Militar se manisfestaram sobre as denuncias feitas pelos moradores.

O dia seguinte ainda continuava com trocas de tiros em algumas comunidades do Alemão. Logo pela manhã, a informação de mais pessoas baleadas circulava pelas redes sociais. Uma operação feita pelo Bope na comunidade, na manhã deste sábado, terminou com o capotamento de um carro blindado militar.

Um dos blindados da Pm usados para reforçar a segurança, no local onde outro blindado teria capotado Foto: Betinho Casas Novas / Jornal Voz das Comunidades

O blindado, conhecido como “Caveirão” derrapou e tombou, ao subir uma ladeira na localidade conhecida como “Ladeirão da Alvorada”. Uma nova operação foi realizada, para retirar o veiculo do loca. Foram cerca de 12 horas de incursão pela comunidade, para poder retirar o veiculo. A todo momento trocas de tiros eram ouvidas pela região.

Caminhão guindaste, usado para remover o carro blindado que tombou no Alemão Foto: Betinho Casas Novas / Jornal Voz das Comunidades

O carro blindado só foi retirado as 23h, com ajuda de um caminhão guindaste, da mesma unidade. No fim da operação para retirada do blindado tombado, uma troca de tiros deu inicio no local. No confronto, três pessoas foram atingidas e deram entradas na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Alemão. Em menos de três dias violentos de confrontos e ataques, dez pessoas foram baleadas e mortas no Alemão.

 

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