A nova loló: a droga que mata

Removedor de respingo de solda seria o componente que potencializa a substância

A loló, nome popular da droga que é a combinação de produtos solventes como éter e clorofórmio, “está pior que o crack”, segundo afirmação de um usuário que preferiu ter a sua identidade preservada. O jovem, de 28 anos, diz que a droga não é mais a mesma. Ele conta que, em uma semana, presenciou três mortes de amigos ou conhecidos após usarem esse tóxico, que é consumido por inalação.

Segundo o coordenador executivo do programa Álcool, Crack e outras Drogas, da  Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Francisco Netto, há diversos outros relatos como esse. “Esse loló, que é o nome popular para uma combinação de produtos solventes que geram um rápido e intenso efeito, não é mais o mesmo que era usado décadas atrás, quando as principais substâncias psicoativas eram o éter e o clorofórmio, com relato de mortes menos frequentes. A composição química do que atualmente se vende como loló em festas e grandes eventos, em diversas cidades do país, não está clara, mas certamente são outras substâncias muito mais nocivas”.

Segundo informações apuradas pelo jornal Voz das Comunidades, a nova substância seria o removedor de respingo de solda. Procurado, o Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), órgão ligado à Polícia Civil responsável por apreensão de drogas ilícitas, disse que “não dá para confirmar a presença da substância devido à grande quantidade diária de apreensão desse material”.

Ainda segundo o instituto, em declaração realizada por e-mail, o produto pode ser inalado e funciona como um “genérico” do lança-perfume, por ser mais barato. O organismo também alerta para os perigos da novidade: “É uma substância muito perigosa. Os efeitos colaterais são gravíssimos. Pode haver parada respiratória, surtos psicóticos, quadros de depressão, perda de raciocínio e comprometimento renal e do fígado.”

Para uma fonte que trabalha há mais de 10 anos na Secretaria Municipal de Assistência Social, essa mudança tem sido notada há cerca de três anos. “Este ano já tivemos dois episódios de óbito relacionados ao uso da loló, principalmente entre jovens de 13 a 18 anos.” Ela relata também que para esses jovens, ao contrário do que costuma ser divulgado para a sociedade em geral e pela grande mídia, o crack não é a principal ameaça para essa faixa etária. “Eles (os meninos) falam que crack é droga de otário”, afirma a servidora.

No II Levantamento Domiciliar Sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil de 2005, solventes como a loló aparecem como a segunda droga ilícita mais usada pela população pelo menos uma vez na vida, perdendo só para a maconha. No Sudeste, o uso registrado é maior entre jovens de 18 a 24 anos. Em segundo – a maioria do sexo masculino – entre 12 a 17 anos.

No baile da favela Nova Holanda, uma das 17 comunidades do Complexo do Maré, na Zona Norte, realizado todo sábado, a droga é encontrada por R$ 5. Para alguns usuários a droga muda de lugar para lugar, e a “loló da Nova Holanda” teria ganho fama por causa da mistura.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) não possui uma regulamentação quanto ao removedor respingo de solda; no entanto, a venda é proibida para menores de dezoito anos.

Para especialistas no tema, o grande dificultador para a existência de uma política de combate a essa droga é o fato da morte ser registrada por overdose, e não discriminar o solvente como justificativa do óbito.

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