OPINIÃO | “Tiroteio? Só se for de ideias!”: Educação, cultura e protagonismo juvenil

Foto: Bruno Itan

ARTIGO DE OPINIÃO:

A violência no Rio de Janeiro precisa de soluções, as quais podem ser pensadas a partir de estratégias diferentes e de diversos pontos de vista. O que parece ser consenso é que a guerra não se constitui em um cenário desejado e também não parece coerente com uma vida pautada no bem estar. Mesmo que pareça consenso, não fica claro que o Estado, em termos de políticas públicas, vem se preocupando em agir de forma coerente com a vontade brasileira de viver em cultura de paz ao invés de uma cultura da violência. Por outro lado, o discurso de que armas e violência se combate com mais armas e violência tende a convencer grande parte da população que, em desespero, busca defender o que pensa garantir de imediato o aumento de suas chances de sobrevivência mesmo que, na prática, medidas pautadas em mais violência acabam culminando com mais mortes e opressões contra a população mais pobre.

Violência se combate com enfrentamento às lógicas que a constroem e, por mais que o tema seja complexo para ser debatido a fundo em um artigo de opinião, as desigualdades sociais possuem impacto conhecido na construção da criminalidade, tendo em vista que pobreza e desigualdade de oportunidades (enfaticamente as educacionais) criam terreno fértil para a inserção em mercados ilícitos.

Se seguir essa linha de raciocínio nos leva a pensar que precisamos enfrentar as desigualdades de oportunidades para combater a violência, fica o questionamento para o fato de que não é isso que estamos priorizando. Não é difícil encontrar jovens de alto potencial em cada favela, até mesmo no tráfico. Só que é fácil imaginar que não há potencial que suporte falta de incentivos e ações efetivas que tenham como foco os próprios jovens. A escola pública poderia estar amplamente articulada com a cultura urbana, com a cultura hip hop, do funk, do samba e da poesia. Esses articulações devem ser refinadas com participação efetiva dos estudantes das escolas públicas, que precisam pensar ações que possam contribuir para as próprias favelas de onde muitos são oriundos. Protagonismo juvenil: é disso que estou falando. Por que não começar a pensar em ações que mesclem cultura e educação na sua favela? Não estou falando com “alguém que, um dia, possa fazer”, estou falando com você, que pode fazer… Agora mesmo.

O tema está longe de se esgotar, mas já conversamos aqui que a forma a partir da qual viemos combatendo a violência nos últimos anos não funciona. Por que não experimentar outras formas? Talvez seja mais barato que intervenção militar.

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