Produção independente: Filme conta história de um casal de jovens homossexuais do subúrbio carioca

Longa produzido na Zona Norte do Rio será lançado em canal do YouTube

Os atores Victor Marinho, de 22 anos e Rafael Rocha de 21, recentemente dirigiram o filme ‘Você é o melhor pra mim’. Com uma produção totalmente independente, o objetivo do longa é promover a igualdade racial no cinema e retratar a realidade de um relacionamento LGBTQI. Com uma intensa divulgação nas redes sociais, Victor Marinho despertou interesse nos mais de 5 mil inscritos em seu canal no youtube, o  ‘Deu Merda’. Mesmo meio de comunicação no qual o filme será lançado nesta terça-feira (24), às 20h.

O objetivo do longa é buscar um olhar mais humanizado da sociedade em relação aos relacionamentos homossexuais e a luta contra o racismo. Desta forma, todos os 5 atores selecionados para compor o elenco são negros.  A trama conta a história de dois rapazes, Eduardo e Bruno, com realidades diferentes que no decorrer do filme elas se cruzam e formam um belo romance em meio a conflitos pessoais.

Além de ator, Victor Marinho é fotógrafo e estudante de audiovisual, ele sonha em ser produtor e conta ao Voz das Comunidades que decidiu criar um canal no youtube para relatar o cotidiano de um jovem negro e gay de um forma mais humorística, pois percebe que no meio artístico o negro só faz parte de um elenco quando ele tem que se submeter a situações em que é colocado como alguém inferior aos outros. “Nossa ideia é anunciar o amor. Independente de raça, cor e gênero. Mostrar para as pessoas que isso é algo normal, que não tem nada de errado em duas pessoas se amarem’’ afirma Victor.

O jovem Rafael Rocha que fez teatro quando criança, hoje vê no cinema uma oportunidade de atuar e transmitir uma mensagem positiva para as pessoas, mesmo a causa racial e a LGBTQI sofrendo inúmeros preconceitos da sociedade. “Estou aprendendo muito com esse filme, me lembro bem do personagem que ficou conhecido na novela Amor à Vida, o Félix que tinha uma mulher e filhos, sua vida era retratada como uma vida só feitas de escândalos, teve um final feliz mas não um final que as pessoas queriam ver onde ele ficava junto com seu companheiro. Chegaram a me perguntar se no nosso filme, um dos protagonistas morrem. A pessoas não estão acostumadas com os negros tendo um final feliz”, relatou Rafael.  

Os dois jovens moradores da Zona Norte do Rio de Janeiro contaram com a ajuda de amigos e parceiros de outros canais para a produção do filme. Eles relataram que todo o processo de produção do filme foi feito com muito carinho e união em prol do combate ao preconceito e ao racismo.

As produções independentes no Brasil tem sido cada vez mais comuns, filmes feitos por muitas vezes sem patrocínios, feitos em casa, na rua, com amigos e familiares. Pequenos realizadores independentes que fazem seus filmes por vontade própria. Usado como meio de representatividade, os longas também são utilizados como ferramenta para exibição do trabalho de atores, diretores e roteiristas que não tem espaços no mercado do cinema nacional.

No Brasil, a participação de negros e pardos em produções correspondem à 15% dos atores principais e 02% dos diretores de filmes nacionais. Os dados são da pesquisa  ‘A cara do Cinema Nacional: perfil de gênero e cor dos atores, diretores e roteirista dos filmes brasileiros’, feita por pesquisadores da UFRJ, que chegaram à conclusão de que o cinema nacional tem cor e gênero: é branco e masculino.

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