A minha casa é o mundo, mas ela já teve um cômodo só

Não existem barreiras na nossa cidade.Que tipo de barreiras? As concretas.Não existem muros de Berlim por ai, não existem paredões.Sim, isso não…Mas por que a minha cidade não é a cidade dele?Porque apesar de não existir barreiras concretas, ainda existem barreiras imaginárias.

Nasci no Gama, uma cidade satélite de Brasília, uma periferia, mas a gente costuma chamar de ‘Cidade Satélite’. Eu cresci com a minha vida naquele mundo, meus amigos, a escola, a família, a igreja tudo se concentrava ali.Eu quase nunca ia ao plano piloto (a zona sul da minha cidade). Mas ele estava ali, no lugar de sempre, de certa forma acessível, mas eu não sabia disso.

Até que os anos passaram, eu passei de ano e fui cursar a oitava série num colégio na Asa Sul, depois foi o ensino médio, a faculdade, não sai mais de lá.

Aos poucos aquele meu ‘mundo – mundinho’ foi se abrindo e depois da aula eu não ia mais para casa… Eu ia para o inglês, ia para o teatro, ia pro cinema, ia para protestos na esplanada, palestras na UNB (sem nunca ter estudado lá.)
E minha casa que era somente o Gama virou Brasília inteira, foi para o Rio e se tornou o mundo.


A cidade do Rio de Janeiro pode não está partida geograficamente, mas no imaginário das pessoas ela ainda está. A forma com que cada indivíduo se relaciona com essa cidade e se sente parte dela é singular.
Além de singular é histórica e tem haver com anos e anos de segregação social, desigualdade, preconceito e com a tirania do Estado ou quem sabe do sistema?Que cria grupos e une pessoas não pelo amor ou pela amizade, e sim pelas posses, poder aquisitivo e prestígio social.

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