Na fila da farmácia do governo

Senhor José Franklin, 52 anos, morador da comunidade Nova Brasília, no Complexo do Alemão, solta a sua poesia.

“Tenho 52 anos e apertei a mão do Rene no dia da inauguração da praça do conhecimento. Já tive uma barraca de livros na calçada da Tufi durante uns 5 anos, vendo livros da internet, e tenho também livros publicados”, conta José.

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Que fila demorada,

mas está bom,

Dona Lucy espera,

reclamar para quê?

Se perturbar a toa?

E esta falação,

só Dona Lucy não fala,

também nem ouve,

cantarola uma musiquinha,

acho que finge que canta.

Ela olha fixo para as paredes,

nem vê as pessoas

sendo atendidas,

umas com remédio na mão,

e outras que saem batendo reclamando.

Nesta unidade

de Farmácia do Governo

nunca tem todos os remédios

Dona Lucy sabe,

mas hoje não está nervosa.

O remédio de Dona Lucy é caro,

muito caro,

ela não tem como comprar,

semana passada não tinha chegado,

retrasada também não.

Isto já dura meses,

Dona Lucy não tem mais saúde,

ultimamente está enfraquecendo,

até vendeu bens para

comprar o tal remédio.

Durou pouco;

mal ela está conseguindo se manter de pé,

mal chegou aqui,

também deve estar um pouco surda,

pois não ouviu o nome de seu remédio ser falado.

Também não escutou negarem ele,

ela não liga,

não ouve nada,

não vê nada,

apenas espera sua vez.

A receita especial firme na mão,

até que chega a sua vez,

ela, tremendo, entrega os papéis,

mas cadê o funcionário que estava aqui?

aquele gordinho e mal humorado.

Mudou o atendente

sem Dona Lucy perceber,

não era esta senhora magra, alta,

vestida em trapos

dedos em ossos e foice na mão.

Por: José Franklin

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