Após três dias de debate no STF, operação policial é marcada por violência no Alemão e na Maré

Com relatos de abuso de poder, moradores denunciam o arrombamento e a invasão de residências nesta quinta-feira

Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução

Nesta manhã (22), uma grande operação policial nos territórios do Complexo do Alemão e no da Maré, depois de três dias do encerramento de uma audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), evidencia o descaso com as vidas faveladas no momento mais crítico de saúde pública no Brasil.

Com a presença intensa de disparos de armas, helicópteros e blindados da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, que circulam em ambas comunidades da Zona Norte, os moradores das regiões relatam a violência e o abuso dos agentes durante a ação, compartilhando denúncias de arrombamento e invasão de residências.

Moradores das regiões denunciam a violência policial e a invasão de residências por parte da Polícia Militar.
Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação.

De acordo com a liminar expedida pelo Ministro Edson Fachin, no dia 6 de junho de 2020, as operações policiais em favelas do Rio de Janeiro estão proibidas. Em agosto, o Supremo impôs novas restrições à política de segurança pública fluminense, proibindo o uso de helicópteros blindados — os chamados “caveirões aéreos” — como plataforma de tiros, além de restringir operações policiais em perímetros escolares e hospitalares, mas as intervenções frequentes nesses territórios têm sido uma constante reclamação de movimentos e organizações que prezam pela vida e dignidade dos moradores de periferia.

Morador da Maré registra o estado que seu veículo ficou após o blindado da Polícia Militar passar pela rua. Foto: Reprodução/Vídeo

A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que, desde o início da manhã desta quinta-feira (22/04), equipes do Comando de Operações Especiais (COE) – por meio do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), Grupamento Aeromóvel (GAM) e Batalhão de Polícia de Choque (BPChq) – realizam uma operação nas comunidades do Alemão, Fazendinha e Nova Brasília, para reprimir o conflito entre facções criminosas rivais, que, de acordo com as informações do setor de inteligência, utilizam armamento de guerra, e ainda, a possível circulação de criminosos armados oriundos de outras comunidades da região metropolitana do Rio.