Bailarinas do ViDançar são aprovadas no Theatro Municipal, mas projeto corre risco de acabar

Projeto que forma jovens talentos do Ballet e artes em geral luta para se manter após perder auxílio da Prefeitura

Bailarinas do ViDançar são aprovadas no Theatro Municipal, mas projeto corre risco de acabar

O projeto social tem uma sede atrás do Colégio Estadual Tim Lopes, em um dos espaços do CRJ Alemão (Centro de Referência da Juventude) e dá aulas de dança regularmente terças e quintas, às 14 horas.

A advogada e produtora cultural Ellen Serra iniciou o projeto há 10 anos e foi em 2016 que o ViDançar chegou no CRJ. “Começamos na Favelinha da Skol em 2010 e fomos passando por muitos lugares. Em 2014 tivemos os primeiros alunos aprovados em grandes academias de ballet, como a Escola de Theatro Bolshoi e a Escola de Dança Petite Danse. Chegamos aqui no momento que eu estava passando por muitas dificuldades e fomos muito bem acolhidos por essa equipe. Hoje temos 178 crianças aqui conosco.” 

As aulas são gratuitas e acontecem terças e quintas, no CRJ Alemão. Foto: Emilly Roberta / Voz das comunidades

Tirar boas notas e ser presente nas aulas, tanto da escola quanto do projeto, são alguns dos critérios de incentivo que a equipe de coordenação usa para manter o aluno matriculado. Atualmente o ViDançar está sem auxílio da prefeitura desde outubro de 2019. “Temos medo de fechar as portas pela primeira vez. Durante todo esse tempo buscamos ajuda para manter esse sonho vivo, porque não é só dança, e nunca será só uma dança, é cultura, é arte, é educação. Essa violência que entra na favela não é a solução e as autoridades não ligam. As pessoas deixam de acreditar que existe uma saída, esquecem que é o conhecimento que muda vidas”

Para alguns pais de alunos, o ViDançar não é apenas uma escola de dança, mas sim um projeto que faz parte do desenvolvimento de cada criança. As mães sempre são participativas e apoiam toda a estrutura que foi montada, principalmente no estímulo aos estudos.

TRÊS DO ALEMÃO NO MUNICIPAL

Mães de 3 meninas que conseguiram ser aprovadas mês passado na Escola Estadual de Dança Maria Olenewa, que faz parte do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, contam como o projeto foi e ainda é importante para a formação das bailarinas.

Vidançar. Foto: Emilly Roberta
Rayanne Manuela, Yasmin Marçal e Rayssa Micaela. Foto: Emilly Roberta / Voz das Comunidades

“Minha filha chegou aqui em 2018, entrou pelo projeto graças ao Voz das Comunidades e o Luiz (ex-bailarino do projeto que era voluntário Voz das Comunidades e hoje faz parte da companhia de dança Bolshoi). No dia que ela foi fazer o teste estava muito ansiosa e quando foi aprovada eu não sabia se chorava ou comemorava. Imagina só uma filha bailarina do Teatro Municipal? Foi uma mistura de emoção e orgulho.”, conta a autônoma Lucilene Marçal, moradora da comunidade Nova Brasília e mãe da bailarina Yasmin Marçal, de 10 anos.

“Esse projeto é um divisor de águas na minha vida e na vida da minha filha. É uma opção para fugir da realidade, do cenário atual da comunidade, o ViDançar abre portas para o mundo ideal para nossas famílias”. Lucilene diz também que sempre deixou claro para a filha sobre as provações impostas ao moradores da periferia. “Mostrei como as coisas são! Desde nova ela sabe. Somos pobres, faveladas, negras. Nossa luta tem que ser maior. A gente é obrigada a correr atrás 10x mais.”

Marislaide Silva e Lucilene Marçal falam com orgulho sobre das filhas. Foto: Emilly Roberta / Voz das Comunidades

O orgulho chegou em dose dupla para a dona de casa Marislaide Silva, mãe das gêmeas Rayanne Manuela e Rayssa Micaela, que também foram aprovadas para a Escola de dança Maria Olenewa. Assim como Yasmin, as irmãs também chegaram no projeto em 2018 e agora comemoram juntas a nova fase.

“Não tinha condições de bancar o sonho delas. O ballet é algo inacessível para nós. Minhas filhas sempre tiveram muita vontade de dançar. Quando encontramos o ViDançar foi a maior felicidade. Acredito que a cultura pode mudar vidas, dar esperanças para outras crianças da favela. Eu acredito na capacidade que vem daqui”. Sobre a vitória chegar em dobro, Marislaide diz que estava angustiada, mas segura de que as gêmeas fariam um bom trabalho. “Estava muito aflita, né?! Preocupada se duas seriam aprovadas, se uma só ou nenhuma. Nem sabia direito o que estava sentindo, mas elas me tranquilizaram e falaram que uma ia ficar feliz pela outra caso acontecesse.

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