Intervenção artística no Complexo da Penha é inspirada em estudos sobre afetividade e corpos negros

O artista visual Miguel Afa é cria do Complexo do Alemão, tem mais de 20 anos de carreira e sua obra estará exposta em uma escola na Penha

Intervenção artística no Complexo da Penha é inspirada em estudos sobre afetividade e corpos negros

Foto: Divulgação

O artista visual Miguel Afa, cria do Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio de Janeiro, tem mais de 20 anos de carreira e tem como assinatura de suas obras dar um outro sentido ao retratar personagens favelados (antes vistos de uma forma preconceituosa), mas agora como protagonistas.

Seu mais novo trabalho, ME RETRATEM, com produção de Carolina Lyds e Luana Carvas, não foi pensado em formato de exposição, e sim como um desdobramento da missão que vem desenvolvendo há duas décadas e que inspirou seus estudos sobre afetividade entre corpos negros e favelados. 

Miguel Alfa é artista visual com mais de 20 anos de carreira. A arte foi pontada na Vila Cruzeiro – Complexo da Penha.
Foto: Divulgação

“Nesse mural específico, ainda fazendo um desdobramento sobre esse olhar nas relações afetivas, farei uma homenagem póstuma ao José Carlos, também conhecido como Zeco, que foi meu aluno há pouco mais de 10 anos. E por complicações de saúde veio a falecer em 2019”, relata Afa.

Local da arte

A obra será pintada no muro da escola CIEP Deputado José Carlos Brandão Monteiro (R. São Vicente de Paula, 625 ) que fica na Penha. Esse é o ambiente preferido do artista. Por ser um local de compartilhamento de conhecimento e cotidiano para crianças e adolescentes, o artista achou apropriado para intervir estética e artisticamente, provocando a desconstrução dos estigmas relacionados aos aspectos negativos da vivência na favela.

Miguel Afa tem uma grande equipe especializada para a execução desse projeto junto a ele. Foto: Divulgação

“Grande parte da sociedade ainda deslegitima a existência favelada os associando a criminalidade e a incapacidade intelectual, resumindo sua figura atrelada à marginalidade e violência”.

A intervenção vai acontecer até o dia 31 de março. Haverá cobertura completa nas mídias sociais, pelo Instagram @meretratem, além de um filme que integra a obra.