O serviço de correio comunitário “Carteiro Amigo” corre o risco de chegar ao fim

Após projeto de lei ter sido aprovado, as entregas de correspondências nas comunidades podem ser afetadas.

O serviço de correio comunitário “Carteiro Amigo” corre o risco de chegar ao fim

O serviço Carteiro Amigo que conta com moradores conhecedores do território de suas respectivas favelas para realizar o serviço de correio comunitário irá chegar ao fim com a nova regulamentação em vigor, prejudicando assim grande parte do funcionamento da Associação de Moradores. 

O projeto de lei de número 835/2018 criado pelo vereador Luiz Carlos Ramos Filho, foi sancionado pelo prefeito Marcelo Crivella no dia 2 julho, a determinação tem como objetivo “facilitar” a entrega de cartas e reduzir o número de extravio de correspondências dos moradores nas comunidades, mas na verdade irá causar mais transtorno, já que para isso a logística feita será estabelecer um posto municipal, que poderá funcionar como central de correspondências em alguma instalação da prefeitura como escolas, vilas olímpicas e outros. O morador que recebia suas cartas através do serviço Carteiro Amigo, oferecido pela Associação de Moradores de sua comunidade, agora terá que se deslocar até um dos postos municipais que muita das vezes se localizam fora de sua favela, para buscar sua correspondência. 

“Nós não fomos convocados para nenhuma reunião, só ficamos sabendo quando lemos o edital da prefeitura, o projeto que foi aprovado, a lei diz que as correspondências não viriam mais pra Associação mas a gente sobrevive é através das cartas. Além disso, quem passaria a realizar o serviço de entrega de cartas seria um correio deles, só na Fazendinha a gente tem cerca de 40.000 moradores, a onde que esse correio iria conseguir entregar todas essas cartas? Aqui nós temos 3 carteiros comunitários que conhecem bem a favela e às vezes fica difícil dar conta, quem dirá um que não conhece, o Complexo do Alemão hoje já possui cerca de 250.000 moradores, como que a gente fica?” – Disse Mateia, presidente da Associação de Moradores da comunidade Fazendinha.

Essa decisão afeta não só o Complexo do Alemão, mas como todas as comunidades do município do Rio de Janeiro e contribui também para o aumento de desemprego, uma vez que todos que trabalham no serviço de Carteiro Amigo, agora, após anos desempenhando essa função estarão sem renda. “ Aqui com esse serviço do Carteiro Amigo funcionando nós estamos ocupando dois garotos com trabalho e impedindo que eles fiquem refém da violência que é a realidade de muitos que vivem na favela, porque pra estar nessa função precisa estar estudando e tem que ser conhecedor da comunidade, pra no fim do mês eles receberem uma ajuda de custo” – Relatou Ramildo presidente da Associação das 4 Bicas no Complexo da Penha. 

Reprodução Facebook

Os presidentes das Associações aguardam uma posição da prefeitura,para que possam da articular da melhor forma como esse projeto de lei pode ser aplicado, respeitando o papel que cada Associação executa dentro de sua respectiva favela, já que o impacto dessa decisão prejudica diretamente seu desempenho. O decreto já está vigorando mas ainda terá que ser regulamentado.

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