Pesquisa aponta que 37% dos moradores que pediram auxílio emergencial ainda não receberam

Foto: Renato Moura / Voz das Comunidades Em uma pesquisa quantitativa digital com moradores de favelas, entre os dias 16 e 18 de maio de 2020, da qual participaram 3.460

Pesquisa aponta que 37% dos moradores que pediram auxílio emergencial ainda não receberam

Foto: Renato Moura / Voz das Comunidades

Em uma pesquisa quantitativa digital com moradores de favelas, entre os dias 16 e 18 de maio de 2020, da qual participaram 3.460 pessoas de 231 favelas de todos os estados brasileiros, a Central Única das Favelas (CUFA) junto com o Instituto Data Favela e a Locomotiva Pesquisa & Estratégia informa que 37% dos moradores que pediram auxílio emergencial ainda não receberam. Entre um grupo de 100 pessoas entrevistadas, 62 pediram o auxílio emergencial, uma média de 6 a cada 10 moradores.

A pesquisa registra que houve aumento da preocupação com a renda familiar, subiu 13 pontos percentuais, e com a o risco de perder ou encontrar trabalho, cresceu 16 pontos percentuais, em 2 meses de pandemia do coronavírus. 

Entre os meses de abril e maio, aumentou em 8 pontos percentuais o número de pessoas que teve a renda diminuída, sendo que 50% dos participantes afirmaram que diminuiu muito e chegam a estar ganhando menos da metade do que ganhavam antes. Apenas 32% conseguiram manter a mesma renda.

Empreendedores moradores de favelas, grupo em que 46% das pessoas afirmam ter alguma renda através de um negócio próprio, muito mais da metade afirmou diminuição no movimento de clientes em cerca de 86%. Apenas 2% obtiveram aumento, enquanto 10% não sofreram impactos. Atualmente, vivem nas favelas brasileiras cerca de 13,6 milhões de pessoas que chegam a movimentar mensalmente uma renda própria estimada em mais de R$ 10 bilhões. 

A maioria dos empreendedores não sabe como conseguir algum auxílio financeiro para seu negócio, 54%. Os moradores somados que conseguiram alguma ajuda financeira para o negócio ou procurou mas não conseguiu ajuda financeira correspondem a só 12%.

O morador periférico, além das várias dificuldades do seu cotidiano, que já são diversas, em razão muita das vezes pela omissão do Estado, seja em questões de saúde, educação, bem estar ou moradia, ainda está mais vulnerável aos impactos financeiros no atual cenário de pandemia.