Considerada uma das doenças mais letais, tuberculose ainda mata em favelas do Rio

Clínica da Família do Vidigal fez apelo para que moradores concluam o tratamento

Considerada uma das doenças mais letais, tuberculose ainda mata em favelas do Rio

Foto: Reprodução

A tuberculose é uma doença infectocontagiosa transmitida pelas vias aéreas e provocada em grande parte dos casos pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, também conhecida como bacilo de Koch. A doença afeta principalmente os pulmões, mas pode atingir outros órgãos do corpo, como rins, meninges e ossos. É considerada uma das doenças infecciosas mais letais do mundo. Com o avanço da pandemia de covid-19, o tratamento de outras também graves foi deixado em segundo plano. Seja por falta de braços nas unidades de saúde seja por receio dos infectados de buscarem ajuda e contraírem outra doença. O fato é que a tuberculose atinge mais fortemente a população mais pobre e periférica. 

No dia 23 de julho, a página Parceiros do Vidiga publicou um post sobre a incidência da doença na comunidade. A pedido da Clínica da Família Rodolpho Perisse, que atende a região, a publicação foi feita para alertar moradores sobre a importância de concluir todo o tratamento contra a tuberculose. “A gerente da Unidade de Saúde, Jéssica Renata, procurou a Associação de Moradores do Vidigal para pedir ajuda em alertar a população do Vidigal quanto a importância de realizar todo o tratamento de TUBERCULOSE. O Vidigal está com número alto de casos e alguns pacientes não querem finalizar o tratamento. O abandono pode gerar consequências sérias à saúde da pessoa e da população, inclusive à morte. Leve o tratamento a sério”, dizia o comunicado. 

Sintomas e tratamento 

Os sintomas da tuberculose estão normalmente relacionados ao local no qual a bactéria se encontra, sendo mais comum de existirem sintomas respiratórios, como tosse seca e com sangue, dor no peito ao tossir e dificuldade para respirar. É importante que a pessoa consulte o infectologista ou o clínico geral assim que surgirem os primeiros sintomas indicativos de tuberculose. Pois assim é possível iniciar logo o tratamento A tuberculose pulmonar tem como principais sintomas o emagrecimento acentuado, tosse com ou sem secreção por mais de três semanas, febre baixa, suor noturno, cansaço excessivo, falta de apetite, palidez e rouquidão.

Para sua prevenção, é aplicada a vacina BCG em crianças, que previne somente a forma mais grave da doença. O contágio pode ser evitado com tratamento e orientação dos infectados, além de melhorias nas condições de vida da população, já que a enfermidade está associada à pobreza e à má distribuição de renda. A tuberculose é mais que uma doença física, também está fortemente ligada a questões sociais e ambientais. A Rocinha tem uma das piores taxas de incidência da tuberculose no mundo. Casas úmidas, apertadas, sem ventilação e pouca incidência solar contribuem para a propagação da doença, que se dá pelo ar. 

O diagnóstico da tuberculose é realizado com radiografia do tórax, além de exames laboratoriais e escarro do paciente (baciloscopia). O tratamento, que pode durar de seis meses a um ano, é feito à base de uma combinação de antibióticos. Uma das dificuldades no combate à tuberculose é a falta de adesão ao tratamento – por ser longo e apresentar resultados rápidos, alguns pacientes o abandonam – o que acaba por provocar o desenvolvimento de uma forma da doença resistente aos medicamentos, conhecida como tuberculose multirresistente. Este tipo de tuberculose tem crescido mundialmente.

Casos no Rio de Janeiro aumentam

Segundo o Ministério da Saúde, o estado do Rio tem a terceira maior taxa de mortalidade por tuberculose do país – 3,8 mortes por 100 mil habitantes. Fica atrás de Pernambuco e Amazonas. Com 60 casos por 100 mil habitantes, o Rio também ocupa o segundo lugar em incidência de casos da doença no país, depois do Amazonas (64,80 por 100 mil habitantes). É quase o dobro da média nacional. Mais da metade dos casos se concentra na capital. De 2019 para 2020, o número até teve queda (6293 para 5730). Por outro lado, as mortes cresceram (228 para 310).

Segundo especialistas, a queda de casos e o aumento de mortes podem indicar a subnotificação da doença. Das 310 mortes registradas na cidade do Rio em 2020, 57 foram na região que inclui as comunidades da Maré e Alemão. Cinquenta mortes ocorreram na área onde fica o Complexo Penitenciário de Bangu – a população carcerária também é considerada grupo de risco.

O melhor caminho para diminuir os números de contágio é o tratamento. A tuberculose é uma doença que mata, mas que tem cura. Procure a unidade de saúde mais próxima a sua casa e se informe sobre uma possível retomada do tratamento ou para iniciar um. O ideal é buscar ajuda ao surgirem os primeiros sintomas, tomar a vacina e realizar os procedimentos médicos necessários até o fim. Dessa forma, há não apenas a cura para um infectado, mas também a proteção para quem está em seu meio, para a comunidade e a população em geral.