Coordenadora do projeto RH Social na Cidade de Deus luta contra o descaso do Estado na favela

Renata Kely, de 41 anos, atua contra o coronavírus no gabinete de crise Frente CDD

Coordenadora do projeto RH Social na Cidade de Deus luta contra o descaso do Estado na favela

Foto: Thiago Lima / Voz das Comunidades

Moradora da Cidade de Deus, Zona Oeste do Rio, Renata Kely Nunes, de 41 anos, é formada em Gestão de Recursos Humanos e coordena o Projeto Rh Social, criado para servir como ponte entre empregadores e trabalhadores da comunidade. Renata participou da fundação do Coletivo Frente CDD, que atua no combate aos impactos do coronavírus na favela.

“O medo era o que o coronavírus poderia causar na nossa comunidade, que já sofre com descaso social. A gente é sempre deixado de lado pelo governo e tínhamos que fazer alguma coisa”, ressalta Renata.

O Coletivo Frente CDD atua há quatro meses na Cidade de Deus e também realiza ações em parceria com coletivos de outras comunidades. Inicialmente, a ideia era conscientizar moradores sobre a Covid-19. Devido ao atual cenário, além das campanhas de conscientização, o coletivo promove ações para ajudar as pessoas vulnerabilizadas distribuindo cestas básicas e kits de limpeza e higiene. 

Entretanto, o Frente CDD é mais um projeto social que encontra dificuldade em arrecadar doações suficientes. Na Cidade de Deus são mais de 60 mil habitantes, mas, as doações não chegam em todas as famílias. De acordo com Renata, “a grande dificuldade de atuação é não poder bater em todas as portas da Cidade de Deus e oferecer ajuda”.

Assim como os demais membros do coletivo, Renata abdica de outros afazeres para ajudar a favela em tempos de pandemia. Ela conta que o amor pela comunidade motiva as lutas contra o descaso do governo e sua principal função é auxiliar os que precisam. 

“Sozinhos não somos nada. A gente pode ter milhões de doações, mas se a gente não tiver uma corrente de amor, o Frente CDD não é nada. Não somos nada sem as pessoas e sem os bilhetinhos que recebemos. Tem gente que não tem acesso à internet, mas são ouvidas e respeitadas. O Frente CDD sabe o que é gritar por socorro e não ser ouvido, então a gente abraça muito o que o morador fala. E nós vamos continuar trabalhando até que a gente tenha doador, aquela pessoa de coração bom”, afirma Renata.

Foto: Thiago Lima / Voz das Comunidades