Cria da Providência, jovem violinista terá minidocumentário sobre sua história exibido em Museu do Rio

Realizado pela jornalista Victória Henrique e pelo fotógrafo Douglas Dobby, a obra conta a história de Gil Vilela, que entrou no mundo da música aos 12 anos

Foto: Douglas DobbyFoto: Douglas Dobby

“Jovem do Morro da Providência Faz da Música Instrumento de Transformação Social”, este é o título do minidocumentário sobre o violinista Gilbert Vilela, também conhecido como Gil, de 23 anos, cria do Morro da Providência.

Realizado pela jornalista Victória Henrique e pelo fotógrafo Douglas Dobby em apenas um mês, o filme será exibido no próximo dia 15 de janeiro, sábado, às 14h, no Museu da História e Cultura Afro-Brasileira (MUHCAB). O museu fica na Rua Pedro Ernesto, número 80, localizada na Gamboa, bem próximo à Providência, de onde Gil e o fotógrafo Dobby são crias.

No dia da exibição, também haverá a apresentação da Camerata Jovem RJ, grupo que faz parte da Orquestra Sinfônica Jovem do Rio de Janeiro, composto, em sua maioria, por jovens pretos de favela. 

“Ainda sem entender bem a forma que as coisas estão tomando”, responde Gil Vilela sobre a exibição do minidocumentário no MUHCAB. “Na semana em que saiu o minidoc, algumas pessoas me perguntaram se teria alguma exibição. E, foi então que eu resolvi dar uma sondada! Estava programando algo na casa de uma amiga e então veio a notícia de que será feita uma exibição no MUHCAB! E como eu faço pra acreditar nisso?”, brincou. 

Foto: Douglas Dobby
Gil Vilela
Foto: Douglas Dobby

O protagonista do filme começou a estudar canto coral, flauta e teoria musical aos 12 anos, com o professor Leandro Gregório, na então Casa do Pequeno Jornaleiro, que já não existe mais. Dos 13 para os 14 anos, ele entrou para a Orquestra Infantil Maestro José Siqueira, no Centro Cultural Light, onde aprendeu a tocar violino com Noemi Uzeda. Ambas as instituições localizadas no Centro do Rio.

Victória Henrique, diretora e roteirista, explica que ela e o diretor de fotografia, Douglas Dobby, participaram de um edital da RioOnWatch, o “Enraizando o antirracismo nas favelas: Desconstruindo Narrativas Sociais sobre Racismo no Rio de Janeiro”. “Sugerimos a pauta sobre a trajetória do Gilbert e ela foi escolhida! Depois da escolha, começamos a produzir sempre em contato com o veículo”, conta.

Victória Henrique faz parte também da equipe de audiovisual Voz das Comunidades 
Foto: Renato Moura
Victória Henrique faz parte também da equipe de audiovisual Voz das Comunidades
Foto: Renato Moura

Ela compartilha, ainda, a sensação de ter o projeto exibido em um museu que preserva a história da população preta no Brasil. “É de muita felicidade! O nosso objetivo com esse minidocumentário sempre foi mostrar a potencialidade da favela e da população negra, construindo assim novas narrativas e quebrando outras. Todas as imagens feitas pelo Douglas mostram a beleza do Morro da Providência, lugar que ele mora e foi criado. Além disso, através desse doc, mostramos que na favela também tem gente que toca em Orquestra, sim. São dois jovens negros contando a história de outro jovem negro. Isso é tão simbólico quanto a exibição do mini documentário no Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira. É um lugar que preserva a história e todo o legado do nosso povo e ainda fica próximo ao Morro da Providência, onde gravamos. Essa primeira exibição presencial não poderia ser em outro local”.

Sobre o processo criativo, Douglas Dobby, o diretor de fotografia, conta que surgiu da ideia de mostrar não só a rotina do Gil Vilela, mas também de cada morador de favela. “O trajeto feito pelo Gilbert no início do minidocumentário com muitos becos, vielas, escadarias, além do transporte público que mostra de fato a realidade de um morador. O minidoc mostra as características de um território favelado. O funk e todo o ambiente possibilitam que os espectadores consigam enxergar o que somos e faz com que nós – como moradores – nos identifiquemos”.

Douglas Dobby, cria da providência 
Foto: Reprodução
Douglas Dobby, cria da providência
Foto: Reprodução

Ainda sobre a direção de fotografia, Dobby explica as transições de cenas e cortes: “No momento em que o Gilbert sobe as escadarias do Teatro Municipal entra uma transição. Posteriormente, ele surge subindo um dos acessos do Morro, o que transmite a ideia de que o favelado adquire conhecimento e retorna com os aprendizados para o seu território, fazendo uso deles como uma ferramenta de transformação social”.

O MUHCAB

O Museu da História e Cultura Afro-Brasileira é um museu de território – situado na Pequena África, tendo como marco zero o Cais do Valongo, Patrimônio Mundial. O espaço pretende contar a história da região que testemunhou o maior desembarque de africanos escravizados no mundo, de importantes marcos de afirmação negra no Brasil e do desenvolvimento da cultura afro-brasileira, bem como debater conceitos que emanam desta narrativa e a situação do negro hoje.