Dançarino de Vigário Geral encontra na dança uma forma de expressar sua identidade e sexualidade

Wallace Ferreira, de 27 anos, vê nos movimentos de Vogue possibilidades do corpo negro no universo artístico

Dançarino de Vigário Geral encontra na dança uma forma de expressar sua identidade e sexualidade

Foto: Instagram Patfudyda/Reprodução

A cada passo realizado nas suas apresentações artísticas, Wallace Ferreira, de 27 anos e mais conhecido como Patfudyda, reivindica a possibilidade de ressignificação nas trajetórias de corpos negros enquanto expressa, em cima dos palcos, os movimentos clássicos da dança Vogue (da comunidade Ballroom), estilo de arte que prioriza a reafirmação de identidades de gêneros e a liberdade da sexualidade.

Morador da comunidade de Vigário Geral, Zona Norte do Rio de Janeiro, Wallace conta que a dança sempre fez parte da sua rotina. Pertencendo a uma família adepta a todos os tipos de ritmos musicais, o interesse pela produção de coreografias surgiu desde cedo em sua vida, o que facilitou o aprendizado rápido nos diferentes estilos artísticos.

“Eu nasci em uma família que respira dança e música. Por exemplo, a minha mãe sempre dançou, já saiu em bloco de carnaval, em ensaios e tudo mais. Então, a dança meio que já era uma realidade presente na nossa rotina. Aos 9 anos, o meu pai me colocou em uma escola de dança, que aprendi danças de rua, ballet e outros estilos da arte. De lá para cá, a minha paixão só aumentou. Hoje, faço faculdade de dança na UFRJ”, explica.

Os movimentos artísticos do estilo Vogue reafirmam a identidade de gênero e sexualidade.
Foto: Instagram Patfudyda/Reprodução

Entendendo os movimentos artísticos como forma de reconhecimento pessoal, o dançarino destaca que a presença de uma pessoa negra nesses espaços é acompanhada pela potência artística única e da essência que uma pessoa afrodescendente carrega.

“Além de ser uma possibilidade de fuga de estereótipos, a dança Vogue representa tudo que sou hoje e tudo que posso ser amanhã. Ela possibilitou que eu conhecesse outros lugares, sonhos e me reconhecesse como outra pessoa. A arte que nossos corpos negros produz é muito potente, uma essência artística única”, detalha.

Mesmo compreendendo a potencialidade que a presença negra traz para esses espaços, o artista também enxerga as barreiras enfrentadas pela cor da pele. Para ele, que também trabalha como professor e faz parte do coletivo Mamba Negra, a dança e outras áreas do universo artístico, são mercados extremamente elitistas e excludentes desde cedo.

“O meu objetivo é transformar esse mercado em um lugar de arte mais seguro para pessoas como eu trabalharem. Quero produzir peças, direções e construir novas histórias a partir dessa minha arte”, finaliza.