Em meio a sambas-enredo e palmas, amigos e familiares se despedem de Maria Helena

O enterro da eterna porta-bandeira da Imperatriz aconteceu no cemitério de Inhaúma nesta tarde de segunda-feira (21)
Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades
Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades

Às 13h47 familiares e membros da Imperatriz Leopoldinense iniciaram a caminhada para o sepultamento de Maria Helena, que faleceu neste domingo (20), aos 76 anos. Antes, por volta de 9h, na quadra da escola, diversas homenagens foram prestadas à ela durante o velório.

Cantando sambas-enredo, em homenagem à porta-bandeira que se manteve no posto de 1983 a 2005, as ruas do Cemitério de Inhaúma se encontravam lotadas em verde e branco, as cores da escola de samba.

Familiares e amigos no sepultamento de Maria Helena
Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades

Quando o relógio marcou 14h, a multidão parou e o silêncio tomou conta até que mais um canto se fez, com muitos batuques e palmas, em uma cerimônia que emocionou a todos que estavam presentes. 

“Quando o surdo toca, ela atende. A escola chora mas também aplaude a sua história em um último adeus. Aplausos a quem já fez de tudo, aplausos à nossa história. À Maria Helena, nossa porta-bandeira”, homenageou Alexandre D’Mendes, intérprete da Unidos de Manguinhos. “A imperatriz fica aqui e você assiste lá de cima!”, declarou ele. 

Alexandre D’Mendes, atual intérprete da Unidos de Manguinhos
Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades

No Carnaval deste ano, a Unidos de Manguinhos irá homenagear a eterna porta-bandeira. O samba-enredo “Maria Helena – A Imperatriz da Passarela”, feito especialmente para ela, também foi interpretado a plenos pulmões:

“No bailado da nobreza,

Que inebria o coração.

Maria, ao desfilar a alegria,

transborda energia, ao mostrar seu pavilhão.

Menina, mineira, guerreira,

Carrega na pele as marcas da luta…

Sofreu, mas não se abalou,

Voltou a perseverar.

Nessa cidade festeira

Surge uma estrela a brilhar!”

Nas últimas palavras dos presentes, houve uma oração em despedida. Ao fim, muitas palmas para quem se foi em corpo, mas permanece em memória e legado.

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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