Em parceria com Instituto Arteiros, Bolshoi inicia seleção de bailarinos na Cidade de Deus

A renomada escola de dança de origem russa no Brasil busca por novos talentos do balé na comunidade

Em parceria com Instituto Arteiros, Bolshoi inicia seleção de bailarinos na Cidade de Deus

Foto: Reprodução

Nesta semana, o Instituto Arteiros, localizado na Cidade de Deus, Zona Oeste da cidade do Rio, recebeu a visita de representantes da Escola de Teatro Bolshoi no Brasil. O objetivo da renomada escola de dança é de, até o final do ano, selecionar dois alunos para a única filial brasileira da escola, que fica em Joinville, Santa Catarina. 

A oportunidade de ser observado por uma das maiores companhias de artes do mundo, com certeza, é motivo de muita alegria para os jovens bailarinos da Cidade de Deus. A comunidade foi a aposta da instituição que, até o final de 2021, vai auxíliar no ensino de técnicas da companhia para 150 crianças da localidade.

A empresa russa Rosatom firmou uma parceria com o Intuito Arteiros, com a meta de fortalecer as ações em desenvolvimento pela ONG. Com isso, possibilitando aulas de reforço escolar, teatro adulto, produção, figurino, para os moradores da favela. Com essa parceria, os Arteiros trouxeram para sua grade de atividades a Escola de dança Movidos.

No Instituto Arteiros são desenvolvidas atividades educacionais, culturais, esportes, além de campanhas de doações de alimentos e roupas. Foto: Acervo Pessoal

O Grupo Artístico e Cultural Arteiros foi fundado em 2010. O projeto consiste em uma série de ações criadas pelos diretores Rodrigo Felha e Ricardo Fernandes que abrange crianças, adolescentes e adultos em sua própria sede, localizada na Cidade de Deus.

“A parceria com a Rosatom América Latina e a Escola Bolshoi chega pra consolidar o Instituto como um dos mais sérios do país, que trabalha diretamente no olho do furacão, dentro da favela, transformando e dando possibilidades distintas às crianças e jovens da Cidade de Deus“, ressaltou o cineasta Rodrigo Felha, de 42 anos, Diretor Geral Instituto Arteiros.

Oportunidade aos jovens bailarinos de favela

A professora da Escola de dança Movidos, Pri Diniz, de 31 anos, falou a respeito da importância desta oportunidade para seus alunos e alunas da Cidade de Deus.

Pri desde 2018 atua na Cidade de Deus ensinando balé para crianças, adolescentes e jovens da favela.
Foto: Acerva Pessoal

Uma oportunidade de estreitar relacionamento para um melhor desenvolvimento na técnica aplicada aos meus alunos, oportunizar e investir em pessoas com um trabalho diferenciado dentro da comunidade. Somar forças por um objetivo em comum, que é levar a dança a lugares que menos tem chances de crescimento. Porque hoje o acesso é mais complexo no sentido financeiro. Muitos não têm como bancar para estudar dança”.

A aproximação com o Arteiros  possibilitou mais uma parceria, assim como foi feito com o projeto Vidançar do Complexo do Alemão, em julho deste ano.

A Escola do Teatro Bolshoi no Brasil tem buscado oferecer estas oportunidades para alunos de maior vulnerabilidade social. Com 21 anos de implantação no Brasil, a escola concede 100% de bolsas de estudo para todos os alunos do curso técnico. Sylvana Albuquerque, Coordenadora do Processo Seletivo da Bolshoi, falou sobre o atual momento: “A missão da Escola Bolshoi é formar artistas e cidadãos! Estamos em busca de talentos e queremos que se tornem grandes artistas, por meio de um ensino técnico de qualidade, para que conquistem o mundo com sua arte. O Bolshoi da Rússia começou com crianças humildes e quando a Escola chegou ao Brasil veio com o mesmo objetivo de dar oportunidade a todos, independente de classe social”.

Ainda segundo a coordenadora, desde maio a Bolshoi está doando o curso “Introdução ao Balé Clássico – Teoria e Prática na Preparação de um Bailarino” para ONGs e projetos sociais. No final de outubro, acontecerá a pré-seleção na Cidade de Deus.

Queremos abrir essa oportunidade para crianças de outras comunidades, para que todos possam participar, e quem sabe se tornarem agentes de transformação social, porque a arte conecta as pessoas e, aqueles que se entregam, conseguem ter uma visão ampla do mundo e da vida”, afirmou Sylvana.