Favelivro inaugura Biblioteca Thalita Rebouças no Complexo do Alemão

Conhecida por seus livros infanto-juvenis, a escritora marcou presença na Escola Estrelinha junto com a criançada da comunidade
Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades
Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades

A Favelivro inaugurou, no último sábado (19), a Biblioteca Thalita Rebouças na Escola Estrelinha, localizada no Complexo do Alemão. A escritora brasileira, conhecida por seus livros infanto-juvenis, marcou presença no evento, juntamente às crianças que frequentam a escola e os envolvidos no projeto. 

“Fiquei tão feliz! Eu tenho muito orgulho de ser uma escritora popular, de ter tanta gente em comunidades e periferias que leem meus livros e que viajam através deles. Então, fiquei muito honrada e emocionada!”, confessa Thalita Rebouças. 

Ela enfatiza que o interessante dos seus livros é que as crianças e adolescentes se identificam. “Não importa a classe social, onde mora ou a raça, porque, por dentro, todo adolescente tem questões iguais. Eles têm paixões não correspondidas, têm espinhas na cara, ficam arrasados com pai e mãe que não deixam eles fazerem alguma coisa. Acham que vão morrer por isso! Eu acho que eles se sentem próximos a mim porque eu não julgo eles. Não acho que é ‘mimimi’. Eu respeito muito o adolescente porque eu lembro bem como é”, discorre Thalita. 

Rosângela Marcílio dá aula na Estrelinha há 33 anos e já alfabetizou diversos moradores do Complexo do Alemão. “O maior sonho da minha vida era ter uma biblioteca para minhas crianças! A gente acolhe as crianças, deixando elas o dia todo aqui enquanto as mamães vão trabalhar. A gente faz isso com amor e carinho, tanto que foi uma sementinha, e hoje estamos aqui fazendo essa maravilha com a ajuda de amigos”, desabafa, emocionada.

Foto: Vilma Ribeiro/Voz das Comunidades

Ela conta também que tem uma amiga, Jéssica Trindade, que é dona de uma editora em São Paulo, a BomBom Books, que sempre doou livros e nos ajudou muito. “Jéssica tem uma coletânia de livros de sentimentos, que ajuda a criança a saber o que é o amor, o carinho, a dedicação, a empatia, a raiva, entre outros. Ontem ela me fez uma homenagem. Ela está lançando mais três livros e, dentro da edição, tem uma dedicatória ao Complexo do Alemão.

Monique Reis, de 34 anos, foi alfabetizada pela Rosângela. E, hoje, com três filhos, uma de 17, um de 12 e o caçula de 8. Eles também foram alfabetizados por Rosângela, contou. Sobre a inauguração da biblioteca, ela comemorou: “Só alegria! Nessa pandemia, a [Escola] Estrelinha apoiou muito a nós, mães solteiras, com cestá básica, álcool em gel e até roupa no final de ano”, relata. 

Monique e seu filho
Foto: Vilma Ribeiro/Voz das Comunidades

Monique fala que a biblioteca era o que faltava para a comunidade. “Acho que essa biblioteca vem para agregar. Meu filho pequeno foi alfabetizado durante a pandemia. Porque Rosângela dizia assim: ‘Tô com uns livros aqui para trocar, traz o que ele tem! Vinha, trazia e pegava outro’.”

Conhecido como o Livreiro do Alemão, Otávio Júnior, de 38 anos, é autor de literatura infanto-juvenil e já ganhou um Prêmio Jabuti, em 2020. Ele apoia as ações literárias da Estrelinha e conta que, há dois anos, foi criado um clube de leitura justamente para as crianças terem contato com livros. 

“Muitas delas não tinham acesso à internet e não conseguiam fazer o ensino remoto. Então a literatura foi importante para que essas crianças tivessem acesso à educação e arte dentro de casa. As crianças daqui são incríveis e eu percebo que, com o incentivo à leitura, com a mostra de livros e contato com escritores, eles também têm o desejo de contar e criar suas histórias. Essas crianças têm muita história para contar!”, relata Otávio.

O Favelivro foi criado em janeiro de 2012 e nasceu do encontro de dois apaixonados por livros: os amigos Demezio Batista, livreiro, e a professora de língua portuguesa Verônica Marcilio. Eles se conheceram na comunidade da Barreira do Vasco em uma ação social com crianças, e compartilharam o desejo de tornar a leitura mais acessível.

Favelivro

A fundadora do Favelivro e professora de português, Verônica Marcillo, diz que. ” Em cada livro que é colocado numa biblioteca comunitária vai também um pouco da minha história como leitora”. 

Para doar livros ou pedir uma biblioteca, os interessados devem se comunicar pelo instagram @favelivro ou no telefone da Verônica Marcilio: (21) 983668117. Os livros são recolhidos nas residências pelos voluntários.

Confira a lista de bibliotecas inauguradas:

  • Biblioteca José Mauro de Vasconcelos – Comunidade Do Faz Quem Quer, Duque de Caxias /RJ;
  • Biblioteca Sergio Buarque de Hollanda – Comunidade do Ipiiba, São Gonçalo/RJ;
  • Biblioteca Helio de La Peña – Complexo do Caju, RJ/RJ;
  • Biblioteca Luis Erlanger – Comunidade Vila Kennedy, RJ/RJ;
  • Biblioteca Fernanda Abreu – Comunidade Do Faz Quem Quer, Duque de Caxias/RJ;
  • Biblioteca Sandra Sá – Bairro Acari, RJ/RJ;
  • Biblioteca Miriam Leitão – Higienópolis, RJ/RJ;
  • Biblioteca Paulo Betti – Comunidade Barreira do Vasco, RJ/RJ;
  • Biblioteca Flávia Oliveira – Comunidade do Morro da Congonha, RJ/RJ;
  • Biblioteca Ana Botafogo – Engenho da Rainha;
  • Biblioteca Zélia Duncan – Costa Barros;
  • Próximos Bibliotecas a serem inauguradas;
  • Bibliotecas Paulinho Moska;
  • Biblioteca Isabel Salgado (vôlei);
  • Biblioteca Glória Perez;
  • Biblioteca Tom Farias;
  • Biblioteca Dona Nicette Bruno;
  • Biblioteca Gabriel Pensador;
  • Biblioteca André Trigueiro;
  • Biblioteca Ana Botafogo;
  • Biblioteca Ancelmo Vasconcelos;
  • Biblioteca Edney Silvestre;
  • Biblioteca Luciana Savaget;

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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