Ginasta do Borel, de 12 anos, viraliza nas redes ao treinar na laje de casa

Com cenário improvisado, Ana Luísa treinava diversos movimentos para poder fazer um teste no SEF-Ginástica
Foto: Reprodução
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A pequena ginasta de 12 anos, Ana Luisa Batista dos Anjos, viralizou através de um vídeo seu treinando na laje de sua casa, no Morro do Borel, Zona Norte do Rio. Improvisando a performance no espaço que tinha, ela treinava para um teste que faria no dia seguinte, no Studio Espaço Físico, o SEF-Ginástica, em Vila Valqueire, na Zona Oeste da cidade. 

Aos 5 anos, ela começou a estudar balé, por incentivo da mãe. Aos 9, por conta própria, quis entrar na ginástica rítmica, na Vila Olímpica da Mangueira. Mas a verdade era que os olhos de Ana Luísa sempre brilharam com a ginástica artística, conta a mãe, Cristiane Batista Albino da Silva, de 32 anos. Foi então que, aos 11 anos, ela decidiu arriscar.

“Vindo da comunidade, eu achei que era algo impossível no momento. Chegou um ponto em que ela mesma falou: ‘Ginástica rítmica não é o que eu quero para mim, eu quero buscar meu objetivo, meu sonho, que é praticar ginástica artística‘”, relembra Cristiane.

“Meu maior sonho é chegar na Seleção Brasileira e ganhar muitas medalhas nas Olimpíadas. Mas não é o único. Eu tenho muitos sonhos porque sou uma criança sonhadora!”, diz Ana Luísa.
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A mãe da menina conta, ainda, que procurou o Flamengo, mas eles disseram que, por conta da idade, não seria possível. “Nisso, tentei no Fluminense e, na época, o coordenador disse que ela é maravilhosa e que tem o biotipo, disciplina e foco perfeitos para a ginástica artística. Mas, que a questão da idade pesava. Porque com 11 anos, quase 12, as meninas já estão treinando há 4 ou 5 anos seguidos”. Mesmo assim, ela ficou no Fluminense por 4 meses – de julho a novembro -, competiu no estadual do Rio, onde conquistou o primeiro lugar na trave e segundo lugar no solo. “Ficamos felizes da vida com essa conquista!”, comemora. Contudo, chegando ao final de 2021, a pequena ginasta foi dispensada por acharem que ela não conseguiria alcançar o que precisa para a faixa etária.

Quando perguntada sobre ser parte da rede de apoio de Ana Luísa, Cristiane desabafa que, quando criança, nunca teve incentivo. Então, busca sempre acolher a filha. “Eu, aos 11 anos, recebi a oportunidade de fazer balé e eu amava, só que nunca tive esse apoio que dou para ela. Todas as vezes que me apresentava no balé, eu não tinha ninguém para me aplaudir e isso ficou marcado até hoje. Queria muito, na época, que minha mãe estivesse lá para me prestigiar. Hoje, como eu tenho uma filha que tem um talento, que é esforçada e tem um sonho, estou aqui em todos os momentos para acolher e incentivar!“, explica.

Além do sonho de ser uma ginasta artística com diversas medalhas, Ana Luísa tem o sonho de ingressar em uma faculdade. “Ela sempre foi uma criança muito estudiosa!“, se orgulha a mãe. “Falo para ela se manter sempre focada e que nunca, nunca mesmo, desista dos estudos, porque é muito importante”.

Confira o vídeo de seu treino caseiro:

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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