Modelo Pluz Size do Alemão é coroada Garota Valentine’s Online 2020

Anne já está concorrendo a outro concurso, o Diva Brasil Pluz Size, e para 2021 quer trazer mais títulos para o Alemão

Lucianne Lima Ferreira da Silva (Anne Plus Size), de 25 anos, moradora da Central, localidade do Complexo do Alemão, viu no concurso de beleza uma forma de sua voz ser ouvida. A jovem ganhou como Garota Valentine’s Online 2020, foram 32 meninas disputando o concurso.

Para Anne, estar em um concurso de beleza foi algo que ela jamais imaginaria, devido a toda dificuldade que enfrentou durante sua trajetória por conta do seu peso. A Garota Valentine’s Online 2020 fala do preconceito, dos olhares e principalmente de como isso a levou para o fundo do poço.

“Eu sou uma mulher gorda, que sofreu muito preconceito, que teve depressão por não se aceitar e que tentou suicídio por três vezes. Eu me olhava no espelho e não me reconhecia, eu não me enquadrava nesse padrão de beleza que ficam falando o tempo todo. Eu sofria preconceito dentro de casa, na rua, no transporte público eu não podia passar na roleta, até mesmo para conseguir um emprego eu não era chamada por ser gorda, fora os apelidos intermináveis que me machucava demais”.

Anne teve depressão por não se aceitar e que tentou suicídio por três vezes. E hoje, ela quer ser voz para outras mulheres. Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades

Anne diz que desde criança sofreu muito, que era chamada de gorda, baleia, que não podia ficar perto de algumas pessoas que admirava por ser gorda. E também que sofria preconceito até mesmo dentro de casa com seus familiares, que tinha receio de sentar em algumas cadeiras por conta do peso e tinha muita dificuldade de comprar roupas. Os rótulos a deixavam cada vez mais infeliz e depressiva.

A jovem tentou de tudo para mudar seu corpo, inclusive diversas dietas, que chegaram a deixá-la doente. Nesse período da pandemia, ela engordou mais, o que a deixou descrente que ganharia o concurso.

Um dos motivos que levou Anne a vencer a depressão e a entrar para o ramo da moda foi o fato de ter percebido que não era só ela que passava por isso e que outras mulheres que estavam na mesma situação tinham suas vozes silenciadas.

Anne enfrentou seus medos e inseguranças se inscreveu para o concurso e ganhou o Garota Valentine’s online 2020. Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades

“Eu quis participar desse concurso, pois eu quero ser voz para essas mulheres, que a mulher gorda, ela é linda, maravilhosa, sensual, gostosa e pode ser o que ela quiser, inclusive miss. A mulher gorda pode ser o que quiser: modelo de passarela, modelo fotográfica. Parem de falar que somos lindas de rosto, somos lindas por inteiro. Eu estou passando por cima dessas barreiras para mostrar que todas temos espaços”.

Mas o processo para Anne chegar a se inscrever no concurso, mesmo ela tendo convicção do que queria, não foi fácil, pois ela teve que lidar com a insegurança e o medo de como a sociedade iria aceitá-la. Na primeira vez ela não conseguiu se inscrever para o concurso, só na segunda ela conseguiu finalizar a inscrição.

Uma das dicas que Anne dá para esse processo de aceitação é seguir pessoas do mesmo perfil. Isso foi um ponto fundamental para a sua aceitação e para fazer com que a jovem se olhasse diferente, se amasse mais, se arrumasse mais e ver como tem um grande potencial sim.

“Hoje eu sou uma gorda diferente, sou uma gorda feliz, que aprendeu a se amar, tenho estria, celulite, e isso não me faz ser menor, eu me amo em cada detalhe. É difícil? Sim, mas é um processo que dá pra conseguir. O dia que eu ganhei o concurso eu disse: agora é minha vez, e mostrar para outras mulheres, do que elas são capazes. “

A jovem, tentou de tudo para mudar seu corpo, inclusive diversas dietas, que chegou a deixa-la doente / Créditos: Vilma Ribeiro

Anne já está concorrendo a outro concurso, o Diva Brasil Pluz Size, e para 2021 quer trazer mais títulos para o Alemão. E ela manda um recado para as meninas que estão passando pelo que ela passou: “Amar a si mesmo é condição necessária para se alcançar a felicidade própria. O preconceito não acabou, eu ainda sofro, cada vez que eu tenho que comprar roupas, a olhada de indiferença e ouvir: infelizmente aqui não tem roupa pra você ou quando encontramos é uma fortuna, chegar a ouvir é caro porque gasta muito pano, emagrece que você vai poder usar ou você é linda de rosto, mas seu corpo. Isso dói, dói muito, mas se cada uma passar a se amar como realmente é, essa dor vai diminuir e a vontade de se amar e vencer vai crescer cada vez mais”.