Moradores do Morro da Baiana estão há 15 dias sem água

A situação persiste em quatro ruas da comunidade: Santo Antônio, Amaral, Itajubara e Vista Alegre

Moradores do Morro da Baiana estão há 15 dias sem água

Foto: Renato Moura / Voz das Comunidades

Diversas favelas do Rio de Janeiro vêm apresentando problemas com abastecimento de água em meio a pandemia, momento que exige mais atenção às medidas de higienização. No Morro da Baiana, no Complexo do Alemão, um grupo de moradores relatou que há 15 dias estão sem água. A situação persiste em quatro ruas da comunidade: Santo Antônio, Amaral, Itajubara e Vista Alegre.

Sabrina Souza mora na região há dois meses e declarou que é a terceira vez que fica sem água em casa. Ela contou que vai para casa de parentes tomar banho e lavar roupas. Há uma semana Sabrina está comprando quentinha para almoçar e na janta come pão porque não tem água para cozinhar. “A minha caixa d’água está seca. Dá até vontade de chorar quando falo, mas não tem água nem para beber, não tem água para fazer comida, pra nada”, relata a moradora, que teve pressão alta por estresse e preocupação devido à falta d’água. 

Sabrina Souza teve a saúde afetada por causa da falta d’água. Foto: Renato Moura/Voz das Comunidades

Enquanto a solução não chega, as pessoas contam com a coletividade e solidariedade da vizinhança. Quando cai água em alguma casa da região moradores se ajudam cedendo baldes ou garrafas com água para vizinhos. 

“Eu cheguei tarde e não consegui pegar um balde cheio na casa da minha tia. Eu estou sem tomar banho desde ontem porque não tem água”, desabafa Ana Carolina, moradora da rua Santo Antônio. 

Ana Carolina sofre com falta d’água. Foto: Renato Moura / Voz das Comunidades

O presidente da Associação de Moradores do Morro da Baiana, Renato Rolim, disse que entrou em contato com a Cedae e foi informado que ocorreu um problema em uma adutora e por isso a água não chega o suficiente na bomba para abastecimento local. Também comunicou Renato que, talvez, o caso fosse resolvido até amanhã. Entramos em contato com a Cedae, mas até o momento não tivemos retorno. 

Em poesia a moradora Patrícia Souza expressa sua indignação:

Rosas são vermelhas 

Violetas são azuis 

Aqui no morro da Baiana 

Quando não falta água, falta luz.

Ouvi dizer que não pagamos, então não podemos reclamar 

Mas era melhor ser pago e ver o negócio funcionar.

Nesse versinho tão singelo deixo a minha indignação 

Se sofremos todo final de ano é por falta de gestão!