Na Penha, Clínica da Família convive com a precariedade nos sistemas de atendimento

Em plena pandemia, profissionais de saúde da Clínica Felippe Cardoso improvisam espaços para atender pacientes
Clínica de Saúde no Complexo do Alemão convive sem o funcionamento de elevadores há 6 meses.

Foto: Reprodução

Em um momento tão delicado para a saúde pública no Brasil, mais do que nunca hospitais e centro de atendimentos necessitam de uma estrutura qualificada para receber a demanda excessiva de pacientes. Porém, de acordo com o relato de um profissional da Clínica da Família Felippe Cardoso, essa realidade não pertence ao único ponto que atende os moradores do Complexo da Penha, Zona Norte do Rio.  
 
Segundo relato do trabalhador, os elevadores da clínica não funcionam há 6 meses. Convivendo com essa situação precária na locomoção de um estabelecimento que possui quatro andares, onde os atendimentos acontecem majoritariamente no segundo e terceiro, os profissionais de saúde improvisam os cuidados com os pacientes na parte do térreo do prédio.  

Penha
Clínica improvisa atendimentos no primeiro andar pelo não funcionamento dos elevadores.
Foto: Reprodução

“O problema ainda piora quando as pessoas precisam sair de ambulância, pois estão em estado mais grave ou precisa ser levado à emergência, descer com pessoas que não estão bem pelas escadas não é fácil”, desabafa.  

Com medo de perder o seu vínculo empregatício com a clínica, o profissional pediu à reportagem do Voz das Comunidades para manter a sua identidade em sigilo. Mas, revela também que os atendimentos para pacientes com suspeita de Covid-19 são realizados em salas que não possuem circulação de ar.  

“Viemos sofrendo bastante precarização nos últimos anos. O elevador é a ponta do iceberg, diversas salas estão sem ar-condicionado e o atendimento para pacientes com suspeita de Covid-19 é feita em salas que, além de sem circulação de ar, hoje não tem um ar condicionado funcionando”, denúncia. 

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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