Olhar Complexo retoma atividades com intercâmbio fotográfico

Na tutela de Bruno Itan, fotógrafos comunitários realizam saídas de campos pelas comunidades do Rio de Janeiro e trocas de conhecimentos
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Foto: Olhar Complexo / Divulgação

A retomada das atividades do curso Olhar Complexo, ministrado pelo fotógrafo Bruno Itan, de 32 anos, carrega diversos significados dentro das comunidades cariocas, principalmente, no Complexo do Alemão. Entre esses, a possibilidade de utilizar a captação de imagens como uma ferramenta de transformação social na vida de moradores e na redefinição do cotidiano desses territórios. Há mais de 10 anos atuando na área, Bruno, que trabalhou com estabelecimentos de higienização de carros para comprar o primeiro equipamento fotográfico, entende a potência que a fotografia provoca em jovens.

“Através das lentes fotográficas, a gente pode levar um mundo favelado diferente do que é mostrado. Mostrar que esses territórios são muito mais do que pensam. Nós, fotógrafos comunitários, temos que levantar essa bandeira”, explica.

Adicionando ao foco da transformação social a troca de conhecimento entre fotógrafos, o Olhar Complexo retorna na sua segunda fase de atuação. Antes da pausa, a iniciativa realizava curso de fotografia gratuito para moradores do Complexo do Alemão. Agora, com a retomada das atividades, o projeto direciona a dedicação a uma meta antiga de Bruno e de seus alunos: o intercâmbio fotográfico em outras comunidades como prática de saída de campo.

Bruno Itan acredita que a fotografia possui uma potência de transformação social nas mãos de moradores de comunidade
Foto: Selma Souza/Voz das Comunidades

“O Olhar Complexo é um curso de fotografia, mas mudamos um pouco por causa da pandemia. Já que é inviável reunir muita gente em um espaço fechado, a gente retorna com saídas práticas de fotografias. O objetivo é que os fotógrafos conheçam outras favelas além da sua e troquem informações entre si. A primeira ocorreu no final do mês passado, no dia 26, no Complexo do Alemão, Zona Norte. O intercâmbio trouxe fotógrafos da Rocinha, Zona Sul, para conhecer a cultura fotográfica e realizar essa troca de informação”, compartilha. 

Na última saída de campo, o Olhar Complexo reuniu 12 fotógrafos pelos territórios do Complexo do Alemão. O próximo intercâmbio tem data marcada para o último final de semana de julho, desta vez na Rocinha. “A ideia é promover a cultura da fotografia em todas favelas do Rio de Janeiro. Este é o objetivo principal do projeto: Incentivar a cultura da fotografia, com exposições, aulas, cursos e saídas fotográficas”. 

Bruno, que iniciou a sua carreira em uma exposição de fotos na inauguração do teleférico do Alemão, revela que, em parceria com o Senac, prepara um livro de fotografias sobre a pandemia nas favelas, como forma de registro histórico sobre esse momento vivenciado. O nome do livro não poderia ser outro: O Olhar Complexo.

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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