Projeto social no Morro da Providência profissionaliza mulheres em massoterapia

O Saia Empoderada acontece há quatro anos e já formou mais de 100 mulheres na comunidade
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

O Saia Empoderada é um projeto que profissionaliza gratuitamente mulheres do Morro da Providência, na Zona Central do Rio, em massoterapia. Patrocinado pela L’Oréal Fund for Women e idealizado pela fisioterapeuta Andressa Jordão, que trabalha como massoterapeuta há 15 anos, o Saia Empoderada surgiu há quatro anos e já profissionalizou 100 mulheres da Providência. O projeto vai começar a oferecer também formação em Terapias Holísticas este ano.

Além das aulas técnicas, as alunas também aprendem sobre empreendedorismo, inglês para massoterapeutas, aromaterapia, noções de SPA e finanças. As aulas acontecem na Casa Amarela, através do coletivo MIP (Mulheres Independentes da Providência), localizada no alto do Morro da Prodvidência e na SPARTA, na localidade da Pedra Lisa, também no morro.

Foto: Andressa Jordão
Foto: Andressa Jordão

Nascida e criada no subúrbio carioca, no bairro do Cachambi, Andressa trabalhou em SPA’s de grandes hotéis no Rio de Janeiro como massoterapeuta. A ideia do projeto surgiu quando ela trabalhava como voluntária na ONG Rede Postinho, Cantagalo-Pavão-Pavãozinho, conjunto de favelas da Zona Sul do Rio. 

Percebi a necessidade das mulheres de quererem ser protagonistas de suas próprias histórias. Foi aí que eu tive a iniciativa de começar um projeto de Empoderamento Feminino através do autocuidado, com rodas de conversa com especialistas, dinâmicas de autoconhecimento e práticas de bem estar e cuidado para elas”, explica. 

Andressa Jordão
Foto: Ana Paula Vasconcelos

Andressa, em seguida, destaca como compartilhar conhecimentos é necessário para mudar a realidade de quem mora na favela. “Mas foi quando cheguei na Providência que as alunas do projeto, ao ouvir minhas histórias, começaram a pedir para eu ensinar a elas o que eu fazia. Foi então que comecei a compartilhar aquilo que recebi de mais importante: conhecimento. Começamos com aulas de automassagem e depois eu comecei a ensinar massagem relaxante”.

A aluna Fafá Noronha começou o curso na metade de 2021 e hoje já está trabalhando na área. “Eu não tinha noção nenhuma de massoterapia. Para mim, era só uma massagem comum que não faria diferença nenhuma. E aí, quando comecei a fazer o curso, eu vi que dava sim para ganhar dinheiro e gerar uma renda. Ainda mais sendo mãe solteira, sem ter ajuda de ninguém, sempre correndo atrás do meu. Então, hoje, eu vejo a massoterapia com outros olhos. É uma coisa que eu gosto e que me dá dinheiro”, conta.

Fafá Noronha durante o curso teórico
Foto: Andressa Jordão

O Saia Empoderada também promove eventos de geração de renda para as alunas do curso. No dia 25 de dezembro do ano passado, elas tiveram a oportunidade de estar no Festival de Artes Urbanas (FAU), no bairro do Santo Cristo, também na Zona Central, trabalhando com a massoterapia de forma remunerada.

Alunas do Saia Empoderada no Festival de Ativação Urbana
Foto: Divulgação

Alunas realizam atendimento à população com valor acessível

Na reta final do curso de formação em massoterapia, as alunas do Saia Empoderada farão um estágio para atender a população com valores acessíveis. Durante todo o mês de fevereiro, às sextas-feiras, de 8h às 12h, as massoterapeutas irão atender na Casa Amarela, ONG no alto do Morro da Providência. Os valores vão de R$15 a R$50.

Como se inscrever

Ainda não há turmas abertas para este ano, tendo em vista que as alunas estão fazendo estágio para a conclusão do curso. Mas, as interessadas podem entrar em contato com a idealizadora Andressa Jordão para mais informações, pelo celular (21) 98026-8637.

Inicialmente, o projeto abrangeu somente o Morro da Providência, mas todas as mulheres que moram em comunidade que quiserem fazer parte dos cursos do Saia Empoderada podem entrar em contato. A pretensão é expandir para outras comunidades do Rio.

Os únicos pré-requisitos para se inscrever são:

Ser mulher;

Ter ensino fundamental completo;

Morar em comunidade.

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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