Provocando debates, “Alemão 2” estreia dia 31 de março nos cinemas

Diretor José Eduardo Belmonte e roterista Marton Olympio falam sobre a continuação de "Alemão"
Foto: Divulgação
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O filme “Alemão 2” chegará às telonas brasileiras no dia 31 de março. Dirigido por José Eduardo Belmont e roteirizado por Thiago Brito e Marton Olympio, o longa-metragem nacional é a sequência do filme “Alemão”, que fala sobre a ocupação da polícia no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio. 

Cena de “Alemão 2”
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O filme

Em “Alemão 2”, o comandante Machado (Vladimir Brichta), junto dos policiais Ciro (Gabriel Leone) e Freitas (Leandra Leal), iniciam uma operação no Complexo do Alemão oito anos após a instalação das UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora). Dessa vez, com a falência da UPP, a Polícia Civil tem como missão capturar o Soldado (Digão Ribeiro), que domina o tráfico do território. 

Produzido pela RT Features, o longa vai estrelar Vladimir Brichta, Gabriel Leone e Leandra Leal como policiais civis e Digão Ribeiro como o chefe do tráfico. Além deles, Aline Borges, Dan Ferreira, Zezé Motta, Mariana Nunes, Demick Lopes e Ricardo Gelli também estão no elenco. 

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Belmonte destaca atuação de Zezé Motta no longa
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Com a palavra, o diretor José Eduardo Belmonte

José Eduardo Belmonte
Foto: Reprodução

Belmonte conta que foi um desafio e tanto, na situação política se está, fazer um filme de ação policial. “Minha preocupação como diretor em um filme do gênero foi ser diligente no que se conclui do que se mostra. Dar contexto. Fui guiado por uma frase que o personagem do Antônio Fagundes dizia em ‘Alemão’: ‘Não tem heroísmo na polícia‘”, explica.

Ele pontua que a frase não é reproduzida textualmente em “Alemão 2”, mas que permeia também a nova história. “Há inteligência, estratégia, risco, entrega. Mas o heroísmo é uma fantasia perigosa. E uma das virtudes do roteiro do Thiago e do Marton. É, respeitando o gênero, ir subvertendo as expectativas, dar umas viradas na história e, assim, problematizar a realidade, sem impor heroísmos”, comentou o diretor.

Questionado sobre o resultado de “Alemão 2”, ele diz que a resposta até agora tem sido muito positiva. “Tivemos uma pré-estreia no Imperator, que, pra mim foi umas das mais marcantes da minha vida. É um filme mais aberto, literalmente até, já que o primeiro se passava quase todo em um porão. Apesar de também ter momentos claustrofóbicos, ‘Alemão 2’ mostra mais o que está ao redor; o lugar e as pessoas em volta do conflito”, explicou, revelando que, também por isso, eles trabalharam com muito mais locações, maior número de personagens e, pelo menos, quatro cenas de ação bastante complexas.

“Os dois filmes também me fizeram tentar compreender questões do país que, no Rio de Janeiro, são bastante emblemáticas: o abismo social, a violência entranhada no cotidiano, a nossa eterna crise de futuro. Espero que isso reverbere no público. Por fim, se for destacar das várias coisas que podem tocar o público, destacaria a participação da Zezé Motta”, finalizou Belmonte.

Com a palavra, um dos roteiristas, Marton Olympio

“Particularmente, a segurança no Rio é um tema que muito me seduz. Você passar por dois eventos esportivos gigantes, em detrimento de tanta coisa, tanta desapropriação, uma compra exorbitante de armamento, de projétil, de equipamento militar… Mas, de fato, nenhum investimento na segurança efetiva, aquela que vem a partir da educação e saúde nas próprias comunidades, além do cuidado com os próprios policiais; a força tarefa que está vindo para cumprir essa missão de dar segurança a todo mundo”, declara Marton Olympio.

Marton Olympio
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Ele, que é um dos roteiristas de “Alemão 2”, conta que esse sempre foi um tema que o fascinou muito. “Quando Alemão chegou até mim, poder conversar sobre ele, mostrar o começo, essa propaganda, depois a prisão dos principais políticos envolvidos em todo esse movimento de UPP e tal, é muito simbólico”.

E, finaliza: “Mostra realmente que é uma guerra, onde tem interesse, tem muita gente que ganha dinheiro nesse processo de guerra, nesse processo de enfrentamento. Às vezes, parece que é muito mais fácil investir em arma do que investir em livro. Acho que isso traz muitas reflexões. Talvez hoje escrevia coisas diferentes. Era um marco. Eu particularmente sabia que Bolsonaro ia ser eleito. Então, é muito marco nessa época. A gente apostou muito, quase todas nossas fichas em segurança, em arma, e muito pouco em educação. Esse é um dos grandes vieses de inspiração do filme”.

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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