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Rock in Rio: Das batalhas para o mundo, Azzy saiu de casa com 12 anos e segue calando ‘haters’ com sua arte

A cantora, que passeia pelos gêneros trap, funk e R&B, já teve seu rosto estampado na Times Square duas vezes e coleciona milhões de visualizações em suas músicas
Foto: Guilherme Oliveira / Voz das Comunidades
Foto: Guilherme Oliveira / Voz das Comunidades

Vai ter Azzy no Espaço Favela no último dia do Rock in Rio, 11, em que o line-up inteiro do festival será composto por mulheres. Isabela Oliveira, de 21 anos, é cria de São Gonçalo e entrou no mundo da música por volta dos 14, nas batalhas de rima. A cantora, que passeia pelos gêneros trap, funk e R&B, já teve seu rosto estampado na Times Square duas vezes e coleciona milhões de visualizações em suas músicas no YouTube e outros milhões de streamings no Spotify. Mãe de duas meninas, Lua e Dominic, Azzy teve que correr atrás de sua independência muito nova.

Antes de ser a Azzy, Isabela teve que passar por cima de muita coisa. Ainda com 12 anos, saiu de casa por sofrer abuso sexual e só falou pela primeira vez sobre o assunto em seu single, “Fedendo a Ódio”, lançado em 2018. Nas batalhas de rima, onde descarregava suas vivências, deu de cara com muito machismo, já que era um local dominado por homens. 

Nesse período, para sobreviver, chegou a se envolver com o tráfico de drogas e pontua. “Foi uma necessidade extrema. Isso me ensinou coisas importantes; o que eu não quero viver e não quero que os meus amigos vivam. Porque da mesma forma que eu conheci muita gente ali, eu perdi muita gente. Eu poderia ter me perdido.”

Foto: Guilherme Oliveira / Voz das Comunidades
Azzy após a entrevista, na Casa Voz
Foto: Guilherme Oliveira / Voz das Comunidades

Mesmo assim, ela continuou. Participou de algumas edições do Poesia Acústica com seu marcante cabelo azul, ao lado de figuras como MV Bill. Ah, “Poetas no Topo” também! Azzy nunca parou de fazer hit e quando lançou “Faixa Rosa”, foi aí que ela estourou de vez. O vídeo tem 17 milhões de visualizações no Youtube e chegou a ganhar uma versão 170 BPM. 

Ainda assim, a artista não tira os pés do chão. Ela, que tem mais de 2 milhões de seguidores no Instagram, fala. “Hoje eu falo pras pessoas: vocês têm que entender uma coisa: dois milhões de seguidores não são dois milhões de reais na conta. Se eu não trabalhar muito, se eu não sair e deixar minhas filhas com babá, se eu não passar semanas fora de casa trabalhando muito, daqui a cinco, seis anos eu não vou ter uma estabilidade financeira.”

Seu próximo álbum se chamará “High-Low”. Ela explica que a referência é justamente sobre a montanha-russa que vive, incluindo sua saúde mental, que Azzy faz questão de cuidar juntamente à sua vida espiritual, como desativar o Twitter. “Não deixo faltar nada para as minhas filhas, como vem um cara me chamar de puta? Eu não venho e não vou aceitar”, enfatiza. 

Mesmo com os haters, ela tem uma legião de fãs, que se inspiram em tudo que ela é. “Eu me sinto muito amiga dos meus fãs. Eles se abrem comigo de uma forma tão natural que eu não vejo muito essa barreira de artista e fã. Tenho três ou quatro grupos com fã-clube no meu telefone, sabe? Eles me mandam áudio, me ligam em vídeo… Eu não gosto de me sentir intocável”, conta. 

Rock in Rio

Foto: Guilherme Oliveira / Voz das Comunidades
Em frente ao Morro do Adeus, Alemão
Foto: Guilherme Oliveira / Voz das Comunidades

“Pode ser algo que vocês nunca viram antes. Eu acho que agora eu estou preparada para apresentar a Azzy para todo o mundo!”, disse. Ela relembra que ficou sabendo quando estava dando uma entrevista numa rádio, junto com a Cléo Pires. 

“Do nada o meu produtor me mostrou o flyer do dia 11 de setembro e em volta o Rock in Rio. Eu surtei! Há dois anos atrás eu falei que iria cantar no próximo, falei para todo mundo: ó, no próximo nós vai estar lá, hein! Palavra tem poder, né?!”, vibrou ao contar. 

E finaliza: “Ter voz num festival tão grande em um palco chamado favela, que representa tanto a comunidade, tantas histórias de vida e luta é muito importante! Principalmente por eu ser mulher e estar em um dia só de mulheres”. 

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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