Um mês após operação violenta, jovens do Jacarezinho começam a receber assistência psicológica

Com a iniciativa do projeto “Promover Para Prevenir em Saúde Mental”, moradores com idade entre 14 e 25 anos têm apoio online

Um mês após operação violenta, jovens do Jacarezinho começam a receber assistência psicológica

Foto: Prefeitura do Rio / Divulgação

Nesta segunda-feira (07), um mês após o episódio de violência na favela do Jacarezinho, onde 29 pessoas morreram numa operação policial, jovens da comunidade, que foram indiretamente impactados, iniciam uma formação de saúde mental. 

Com o projeto chamado “Promover Para Prevenir em Saúde Mental”, 29 moradores da região, com idades entre 14 a 25 anos, vão participar de encontros online. Como parte da ação, os participantes receberam da UNICEF e Movimento Saber Lidar um kit conectividade, contendo um celular com chip e recarga de dados para garantir o acesso às aulas.

O Secretário da JUVRio, Salvino Oliveira, conta que os atendimentos psicológicos dos jovens vão começar também ainda esse mês e fala sobre a importância de auxiliar nessa situação de vulnerabilidade. “O marco de um mês da operação da Polícia Civil do RJ, que deixou 28 mortos no Jacarezinho, não vai passar em branco para os jovens e adolescentes que foram direta ou indiretamente impactados. É urgente promover ferramentas que ajudem estes jovens a desenvolver habilidades e fortalecimento emocional para mitigar o ocorrido. O curso de saúde mental e a assistência psicológica gratuita são algumas das ferramentas que encontramos para proporcionar isso à juventude do Jacarezinho”.

Os participantes receberam também um kit socioemocional que traz materiais específicos sobre autocuidado, comunicação não violenta e um guia que poderá ser usado para promover rodas de conversas com outros jovens na comunidade. 
Foto: Reprodução

O LabJaca comentou sobre a iniciativa. “Um dos maiores desafios é fazer chegar políticas públicas na favela sem ser por conta de mortes. É importante ocorrer esses tipos de parceria para que possamos gerar oportunidades para os nossos, mas ainda não é o suficiente. Sofremos com a falta de diversos direitos. Logo, acreditamos que uma ação pontual não é o suficiente. É preciso garantir o acesso à saúde mental para toda população do Jacarezinho”.

Essa ação é parte de uma iniciativa mais ampla liderada pela Secretaria Especial da  Juventude Carioca (JUVRio), que inclui também atendimento psicológico presencial aos jovens, em parceria com a Casa do Menor São Miguel Arcanjo. Os participantes foram indicados pela Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS), LabJaca e Associação de Moradores do Jacarezinho por terem sido direta ou indiretamente afetados.

Consideram-se diretamente impactados os jovens enlutados que amigos ou familiares estiveram dentre as vítimas da operação e indiretamente impactados aqueles que presenciaram a ação e experimentam os efeitos negativos decorrentes da exposição à violência, ao estresse e ao luto.